Em uma noite que espelha o clima de uma fita autoral em pleno clímax, Paul Thomas Anderson saiu vitorioso na 78ª edição do Directors Guild of America (DGA), realizada em Beverly Hills. O prêmio principal, o de direção para longa-metragem, coroou o cineasta por One Battle After Another, consolidando-o como um dos nomes mais fortes na corrida pelos Oscars desta temporada.
O reconhecimento do DGA muitas vezes funciona como um espelho do que a Academia pode decidir, e a vitória de Anderson reforça o roteiro não escrito desta temporada de prêmios: autores de cinema que resistem à lógica industrial e seguem uma linha autoral tendem a ser celebrados pelas instituições. É como assistir a um filme cujo último ato confirma uma leitura possível mas desejada — a narrativa pública se reencontra com a crítica e com os votantes.
No campo televisivo, os prêmios destacaram propostas técnicas e ambiciosas. A direção dramática premiou The Pitt pelo episódio “6:00 P.M.” (HBO Max), enquanto a categoria de comédia consagrou The Studio por “The Oner” (Apple TV+). Essas escolhas sinalizam a preferência por trabalhos que, além de resolver desafios formais, propõem um reframe da experiência do espectador — o que chamamos aqui de semiótica do viral e do evento televisivo.
Em seu primeiro discurso como presidente do sindicato, Christopher Nolan abordou as tensões que atravessam a categoria: a solidão inerente ao ofício do diretor, contraposta ao fortalecimento que deriva do coletivo; a queda momentânea nas produções; o impacto crescente da inteligência artificial; e, claro, as negociações entre estúdios e plataformas de streaming. Nolan lembrou que os diretores são narradores capazes de antecipar desejos culturais e defendeu a proteção dessas vozes criativas em um cenário em rápida transformação. Foi um apelo que soou como um roteiro sobre preservação autoral em tempos de mudança tecnológica.
Segue a lista dos vencedores anunciados:
- Directorial Achievement in Theatrical Feature Film: Paul Thomas Anderson, “One Battle After Another” (Warner Bros. Pictures)
- First-Time Theatrical Feature Film: Charlie Polinger, “The Plague” (Independent Film Company)
- Documentary Film: Mstyslav Chernov, “2000 Meters to Andriivka” (PBS)
- Dramatic Series: Amanda Marsalis, The Pitt, “6:00 P.M.” (HBO Max)
- Comedy Series: Seth Rogen, Evan Goldberg, The Studio, “The Oner” (Apple TV+)
- Limited & Anthology Series: Shannon Murphy, Dying for Sex, “It’s Not That Serious” (FX on Hulu)
- Movies for Television: Stephen Chbosky, “Nonnas” (Netflix)
- Variety: Liz Patrick, “SNL50: The Anniversary Special” (NBC)
- Sports: Matthew Gangl, 2025 World Series – Game 7 – Los Angeles Dodgers vs. Toronto Blue Jays (Fox Sports)
- Reality / Quiz and Game: Mike Sweeney, Conan O’Brien Must Go, “Austria” (HBO Max)
- Documentary Series / News: Rebecca Miller, Mr. Scorsese, “All This Filming Isn’t Healthy” (Apple TV+)
- Commercials: Kim Gehrig (Somesuch), You Can’t Win. So Win. – Nike | Wieden+Kennedy
Mais do que uma noite de troféus, o DGA criou um pequeno manifesto: em tempos de disrupção tecnológica e negociações que redesenham o mapa da produção audiovisual, a direção continua sendo um território de resistência criativa. A vitória de Anderson é também um lembrete de que o cinema, quando fiel a uma visão autoral, ainda encontra eco — e prêmios — no panorama cultural contemporâneo.
Enquanto a temporada de premiações avança, vale observar se esse reforço do DGA se refletirá na listagem final do Oscar. O movimento aponta para uma consonância entre os guardiões da profissão e a máquina maior de premiações, onde o roteiro oculto da indústria parece, por ora, favorecer vozes autorais que souberam traduzir o espírito do tempo.






















