Os Intocáveis: 10 segredos do clássico de Brian De Palma que revelam o roteiro oculto da história
Esta noite, no ciclo Sky Cinema Stories às 19h10, volta a ser exibido The Untouchables – Os Intocáveis, o filme de Brian De Palma de 1987 que reconta a saga da equipe comandada por Eliot Ness — os investigatores que, na vida real, ajudaram a condenar Al Capone por evasão fiscal. Mais do que um thriller de época, a obra se tornou um espelho do nosso tempo, um exercício de estilo que mistura mito americano, narrativa de justiça e a estética operística do diretor.
Ambientado na era do proibicionismo, o longa junta figuras históricas, como o próprio Eliot Ness (vivido por Kevin Costner) e o gangster ítalo-americano Al Capone (interpretado por Robert De Niro), com criações ficcionais — o policial irlandês Jimmy Malone (o marcado e premiado Sean Connery) e o jovem agente de origem italiana George Stone, cujo nome verdadeiro é Giuseppe Petri (interpretado por Andy Garcia).
Com um elenco estelar, o filme traz referências cinematográficas explícitas (a mais famosa: a carruagem na estação, sutil aceno a Potëmkin de Eisenstein) e uma sucessão de reviravoltas que alimentaram seu status de cult. Produzido por cerca de 25 milhões de dólares, o filme faturou mais de 106 milhões nas bilheterias, recebeu quatro indicações ao Oscar e garantiu a Sean Connery a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante.
10 curiosidades que você talvez não saiba sobre Os Intocáveis
- Próteses de Robert De Niro: o icônico rosto de Al Capone teve trabalho pesado de maquiagem e próteses para construir a presença física imponente que conhecemos hoje.
- Sean Connery e a medalha: além do Oscar, sua figura no filme carrega um peso simbólico — a medalha que aparece compõe o ethos do personagem e do cinema clássico que o filme reverencia.
- A cena da carruagem na estação é uma daquelas citações explícitas à história do cinema — um reframe: De Palma cria um eco cultural entre o blockbuster hollywoodiano e a vanguarda soviética.
- O roteiro mistura biografia e invenção dramática: personagens como Jimmy Malone são criações que servem ao ritmo narrativo e ao arquétipo do mentor.
- O filme opera como uma alegoria do sistema: a perseguição a Capone por crimes fiscais revela o roteiro oculto das instituições que regulam poder e impunidade.
- O tom operístico e a trilha sonora contribuem para transformar a narrativa policial em espetáculo moral.
- A química entre Kevin Costner e Sean Connery é um dos pilares emocionais: o filme constrói uma paternidade profissional e ética que ecoa além da trama.
- O sucesso de bilheteria consolidou o longa como referência de gênero e abriu portas para novas releituras do cinema de gângster.
- A direção de arte recria a Chicago dos anos 20 com detalhes que funcionam como memória social: figurinos, carros e cenários atuam como documentos de época.
- Quatro indicações ao Oscar e uma vitória (Connery) confirmam que Os Intocáveis é tanto entretenimento quanto afirmação artística.
Como analista cultural, vejo em The Untouchables – Os Intocáveis não apenas um filme de investigação, mas um espelho cómico-trágico do imaginário ocidental sobre lei e violência. De Palma observou o proibicionismo como um cenário de transformação: o espaço onde heróis e bandidos são moldados pela mesma narrativa pública. A cena da carruagem é uma das muitas pequenas chaves que abrem esse cofre semiótico — um aceno a quem sabe ler cinema como genealogia de imagens.
Se você quer entender por que o filme continua a reverberar, observe a sua vontade de transformar conflito em espetáculo moral, a elegância barroca das cenas de ação e a maneira como o elenco encarna arquétipos que atravessam gerações. Em resumo: uma obra que, enquanto nos entretém, nos chama para refletir sobre justiça, memória e o custo simbólico da ordem social.
Salve este texto e assista ao filme com atenção: os detalhes são as pistas que conectam a tela ao cenário histórico muito além do que se vê no primeiro plano.






















