Por Chiara Lombardi — O ícone do cinema de ação renasce em versão jovem: Noah Centineo foi confirmado como protagonista do prequel que explora as origens de John Rambo. As filmagens começaram esta semana em Bangkok, na Tailândia, marcando o início de um projeto que promete reenquadrar um personagem que já é um espelho complexo do nosso tempo.
Dirigido por Jalmari Helander, o filme mergulhará no percurso e nas experiências que forjaram o soldado que conhecemos a partir do clássico inspirado no romance First Blood, de David Morrell (1972). Segundo o comunicado oficial da produção, trata-se de uma narrativa de sobrevivência: «este Rambo das origens é essencial, cru e real — uma história forjada pela resistência, perseverança e pela perda da inocência». A intenção é dar ao público o começo do caminho de John Rambo com respeito à herança do personagem.
Helander não esconde seu vínculo pessoal com o mito: lembra que, aos onze anos, ver Rambo pela primeira vez foi uma experiência transformadora que o impulsionou a querer contar histórias no cinema. Essa confissão revela algo que costuma ficar fora das manchetes: por trás do blockbuster, há sempre um roteiro oculto de memória individual que alimenta decisões artísticas.
A escolha de Noah Centineo — conhecido pelo trabalho em séries como The Fosters e por participações recentes em produções de grande alcance — sinaliza um movimento curatorial: migrar do superstar envelhecido que Sylvester Stallone encarnou em décadas anteriores para uma abordagem antropológica do jovem soldado. É um reframe da figura mitológica do ex-berretto verde, agora visto sob a lente da formação e do trauma.
A saga cinematográfica já atravessou quatro décadas e cinco títulos, com arrecadação global que ultrapassa os 820 milhões de dólares. A linhagem no cinema começou com First Blood (1982), dirigido por Ted Kotcheff, seguido por Rambo: First Blood Part II (1985) de George P. Cosmatos, Rambo III (1988) de Peter MacDonald, John Rambo (2008) protagonizado por Sylvester Stallone e, mais recentemente, Rambo: Last Blood (2019) dirigido por Adrian Grunberg.
O anúncio do prequel abre questões interessantes sobre memória cultural e reconstrução narrativa: por que revisitamos origens? Talvez porque, como numa cena reverenciada de filme, procuramos entender a gênese dos traumas que habitam nossos mitos contemporâneos. O projeto de Helander promete não só ação, mas uma investigação sobre como a guerra e a sobrevivência moldam identidade.
Filmado em Bangkok, o prequel também dialoga com a geografia do conflito e do deslocamento — imagens e atmosferas que poderão servir como cenário para a formação do personagem. Se a franquia já foi símbolo de força bruta e retórica patriótica, esta versão pretende ser um espelho mais crível, menos embellished, de um homem forjado pelas circunstâncias.
Data do anúncio: 2 de fevereiro de 2026.





















