É com uma mistura de tristeza e reflexão que recebo a notícia da morte de Robert Carradine, aos 71 anos. Segundo apurou o site Deadline, o ator teria tirado a própria vida após uma longa luta contra o distúrbio bipolar, uma realidade que a família decidiu tornar pública na nota de despedida.
A declaração familiar, citada pela imprensa, descreve Robert Carradine — conhecido por públicos de diferentes gerações — como “um farol de luz” para quem o cercava. Eles pedem agora privacidade para o luto e fazem um apelo contundente: que a trajetória de Bobby e a sua “corajosa luta” contra o distúrbio bipolar sirvam para enfrentar o estigma em torno da saúde mental.
Para muitos, Robert Carradine ficará para sempre lembrado como o pai televisivo de Hilary Duff na série Lizzie McGuire, fenômeno do início dos anos 2000 exibido pelo Disney Channel. A própria Hilary Duff deixou nas redes um texto sentido: recordou o calor daquela família “televisiva”, o afeto e a proteção que recebeu de seus pais em tela, e expressou profunda tristeza ao saber que Bobby estava sofrendo.
Outros atores da atração também prestaram homenagem. Jake Thomas, que interpretava Matt McGuire — o irmão no universo fictício — lembrou-se de Bobby como um homem simpático, divertido, pragmático e levemente excêntrico. As lembranças públicas traçam um retrato humano, longe do brilho do estúdio: alguém que amava a família e que viveu momentos de alegria e de dor.
Mas a carreira de Robert Carradine não se limitou ao universo teen da TV. Integrante da lendária família Carradine, atuou ao lado dos irmãos David e Keith em I cavalieri dalle lunghe ombre (1980) e contracenou com John Wayne em I cowboys (1972). É também amplamente lembrado por seu papel como Lewis Skolnick nos quatro filmes de La rivincita dei nerds — conhecidos no Brasil como A Vingança dos Nerds. Além de ator, era músico e diretor, embora amigos e colegas insistam que, acima de tudo, ele era família.
Enquanto o mundo do entretenimento se abre em homenagens, a notícia convida a uma reflexão mais ampla — o entretenimento como espelho do nosso tempo. A trajetória de Bobby ilumina o roteiro oculto da sociedade: celebramos vozes públicas, mas frequentemente ignoramos as batalhas privadas que atravessam memória e identidade. A morte de um artista por suicídio, quando noticiada, exige sensibilidade: é um chamado para conversar sobre saúde mental sem sensacionalismo, para reconhecer o eco cultural de sofrimento que pode atravessar até as carreiras mais brilhantes.
A família solicita respeito e privacidade enquanto processa a perda. Entre memórias e citações, permanece o convite para transformar dor em diálogo — reduzir o estigma, ampliar cuidados e ouvir as histórias que, como em um filme, revelam não só luz, mas também sombras.
As homenagens continuam a chegar, e com elas a lembrança de que, por trás do personagem, havia um homem cuja vida e obra deixaram rastros afetivos em várias gerações. Que essa partida abra um espaço para maior compreensão sobre saúde mental e compaixão coletiva.
















