Por Chiara Lombardi — A perda de Eric Dane ressoa como uma cena final que interrompe um filme em plena projeção: não apenas pelo reconhecimento imediato do rosto que habita séries que marcaram gerações, mas pelo modo como sua trajetória privada se tornou um espelho das batalhas públicas pela saúde e pela memória coletiva. O ator morreu aos 53 anos em consequência da SLA (sclerose lateral amiotrófica), informou a família. O falecimento ocorreu na quinta-feira, 19 de fevereiro; nos últimos dias, Dane esteve cercado pelo afeto de amigos e parentes.
Famoso por interpretar o carismático Dr. Mark Sloan — o lendário McSteamy de Grey’s Anatomy —, Dane consolidou-se na paisagem televisiva a partir de meados dos anos 2000. O papel, que desempenhou entre 2006 e 2012 e retomou brevemente em 2021, o tornou parte do imaginário de quem acompanha o drama médico da ABC. Em interpretação posterior, encarnou Cal Jacobs em Euphoria, personagem que revelou camadas sombrias e ambíguas, e que manteve até os últimos dias de sua vida.
Sua carreira também passou por títulos como The Last Ship, série na qual viveu o capitão Tom Chandler, e em que a produção chegou a ser interrompida em 2017 por conta de um episódio de depressão enfrentado por Dane — um lembrete difícil de que os bastidores nem sempre se coadunam com a narrativa pública.
Em abril de 2025, Eric Dane revelou publicamente o diagnóstico de SLA — a chamada doença de Lou Gehrig — e desde então assumiu um papel ativo na promoção da conscientização e do apoio à pesquisa. A família destacou o compromisso do ator em transformar sua luta pessoal em um catalisador para mudanças e apoio a outras pessoas afetadas.
Sobre seus vínculos pessoais, Dane deixa duas filhas, Billie e Georgia, e Rebecca Gayheart, com quem se casou em 2004. Em comunicado, a família pediu respeito pela privacidade e lembrou que “ele passou seus últimos dias cercado por queridos amigos, por sua esposa e por suas duas lindas filhas, que eram o centro do seu mundo”. A nota acrescenta: “Durante sua jornada com a SLA, Eric tornou-se um apaixonado apoiador da sensibilização e da pesquisa, determinado a fazer diferença para aqueles que enfrentam a mesma batalha. Sentiremos profundamente sua falta e o lembraremos com carinho. Eric amava seus fãs e sempre foi grato pelo amor e apoio recebidos.”
Nascido em 9 de novembro de 1972, Dane cresceu na Califórnia. Filho de um militar da Marinha que morreu quando ele tinha 7 anos devido a uma ferida por arma de fogo, Eric deixou sua cidade natal após o ensino médio rumo a Los Angeles para perseguir a carreira de ator. Construiu seu ofício com participações em séries cult como Saved by the Bell (Bayside School), Married… with Children (Sposati… con figli), Charmed (Streghe), além do filme X-Men: The Last Stand (X-Men: Conflitto finale) e do drama Gideon’s Crossing.
Mais do que um nome na lista de elencos, a trajetória de Eric Dane faz parte do roteiro oculto da sociedade que insiste em transformar dor em visibilidade e em exigir investigação — científica e social — sobre doenças que silenciam vozes. Sua passagem deixa uma lacuna na paisagem audiovisual e um eco cultural sobre responsabilidade pública, cuidado e memória.
Para além do luto pessoal, resta o convite à reflexão: como o entretenimento atua como espelho do nosso tempo, e de que modo figuras públicas podem reconfigurar o debate público quando convertem suas histórias em causas coletivas? O legado de Dane será, em parte, medido por essa semente plantada em busca de mais conhecimento e empatia.



















