Em uma noite que funcionou como um espelho do nosso tempo —onde talento jovem e memória musical se cruzam— Matteo Trullo foi coroado vencedor da quarta edição de The Voice Kids. Aos 13 anos, o garoto de Decimomannu (província de Cagliari) impressionou público e jurados ao apresentar seu cavalo de batalha: “Maniac”, de Michael Sembello, acompanhado ao violão. A performance consolidou a vitória do participante do time de Nek, que agora se junta ao cânone do programa ao lado de Melissa Agliottone (1ª edição), Simone Grande (2ª edição) e Melissa Memeti (3ª edição).
O triunfo de Matteo Trullo não é apenas a vitória de uma voz promissora: é também um acontecimento que revela o roteiro oculto da sociedade, onde adolescentes reinterpretam clássicos com referências pessoais e técnicas contemporâneas. A escolha de “Maniac” —um tema reconhecível, energético e carregado de memória audiovisual— funcionou como um dispositivo semiótico que conectou plateia, jurados e tela.
A final da temporada abriu com uma surpresa elegante: a presença de Noemi, que subiu ao palco para um medley com os 16 finalistas. A artista romana passeou por sucessos como “Sono solo parole” e “Non ho bisogno di te”, reconfigurando essas canções no formato coral dos competidores. Em um dos momentos mais comentados, Noemi dividiu o palco com um dos coaches, Rocco Hunt, e juntos interpretaram “Oh ma”, o hit que foi destaque do verão passado. A química entre os dois artistas ofereceu ao público não apenas entretenimento, mas uma leitura do fenômeno colaborativo na música pop contemporânea.
Do ponto de vista cultural, a edição 2026 de The Voice Kids reafirma o papel dos talent shows como palcos de formação de identidades juvenis. Ao mesmo tempo em que promove artistas emergentes, o programa opera como um estúdio de memória coletiva, onde repertórios anteriores são reexaminados, remixados e reintroduzidos às novas gerações. A vitória de Matteo Trullo é, portanto, um indicador desse processo: um jovem que canta um clássico com leitura pessoal, conquistando tanto técnica quanto afeto.
Para o time de Nek, mais do que um troféu, a conquista representa a continuidade de um olhar pedagógico sobre jovens talentos —um equilíbrio entre orientação profissional e espaço de experimentação. Já Noemi e Rocco Hunt demonstraram como convidados e coaches podem expandir a narrativa televisiva do programa, abrindo janelas para colaborações que prosperam fora do formato competitivo.
Ao final, a vitória de Matteo Trullo foi celebrada como um capítulo novo na história de The Voice Kids, um pequeno grande acontecimento que ressoa para além da telinha: é a indústria, a memória musical e a juventude em diálogo —o roteiro de nossa era em cena.






















