Por Chiara Lombardi — Em mais uma noite em que a cozinha virou palco e o programa se revelou espelho do nosso tempo, a edição 15 de MasterChef Itália trouxe revelações, reveses e a poesia áspera do forno de barro. Exibido com exclusividade na Sky e em streaming no NOW, o episódio alcançou média de 900 mil espectadores em Total Audience, confirmando que o reality continua sendo um verdadeiro eco cultural do entretenimento contemporâneo.
A prova abriu com uma mystery box inédita: a cocção em argila. Os aspirantes transformaram-se brevemente em artesãos, quebrando a crosta para revelar o conteúdo — peixe, carne ou uma mistura mari e monti — em uma metáfora quase cinematográfica sobre o risco e a descoberta. Foi também na primeira prova que veio à tona uma surpresa que deixou os três jurados, Bruno Barbieri, Antonino Cannavacciuolo e Giorgio Locatelli, boquiabertos: alguns concorrentes, entre eles Niccolò, Matteo Lee e Matteo Rinaldi, foram flagrados indo dançar — passos e tudo — fora do contexto da cozinha. Um deslize social que virou piada, mas também lembrete de que a vida pública dos participantes é sempre pano de fundo para julgamentos culturais.
Entre os destaques, Vittoria — sensível e de lágrima fácil — arriscou combinar peixe e carne, e foi uma das chamadas entre os melhores da prova. Niccolò também teve seu momento de redenção com o prato batizado de “Piccolo Lord”. Mas quem brilhou de fato foi Matteo Canzi, que conquistou sua primeira Golden Pin e o consequente vantagem para o Invention Test.
O segundo desafio, idealizado por Barbieri, girou em torno da marinatura. Com dois ingredientes centrais — frango e capriolo (capreolus, ou caprilo) — os concorrentes precisaram pensar a marinada como matéria-prima de sabor e memória. Teo, vencedor da mystery, foi quem distribuiu os ingredientes, enquanto a vantagem de Canzi incluiu ainda a possibilidade de penalizar dois colegas: Iolanda e Alessandro acabaram, surpreendentemente, sem bancada no dia seguinte, forçados a pedir “hospitalidade” por dez minutos a cada um dos demais.
Essa dinâmica virou um pequeno estudo de convivência e adaptação — um reframe da rotina de cozinha que poderia ser metáfora para nossas próprias exigências sociais. Ambos, apesar do azar, viraram a mesa: conseguiram levar adiante seus pratos, e Alessandro recebeu elogios de Barbieri por um dos melhores impatamentos da história do programa, levando a vitória na prova e o posto de primeiro capitão da prova em externa.
Mas o roteiro nem sempre é benevolente: a prova também expôs desigualdades de técnica e nervosismo, com alguns pratos chegando ao limite do inguardável. A noite trouxe duas eliminações, parcialmente inesperadas, que cortaram o curso de aspirantes até então admiráveis. No momento da despedida, o tom cômico-ácido de Cannavacciuolo se fez presente na frase: “Non aprire mai una panetteria“, uma ironia afiada que, mais do que uma admoestação culinária, soou como comentário sobre o peso das escolhas públicas.
MasterChef 15, assim, segue seu roteiro de altos e baixos: uma narrativa que, por trás do drama e das receitas, nos convida a ler o que essas provações dizem sobre ambição, classe e espetáculo. Nos próximos episódios, a expectativa é ver se os favoritos manterão consistência técnica ou se novos perfis — aqueles que sabem transformar limitação em poesia — surgirão como a verdadeira revelação da temporada.
























