Por Chiara Lombardi — Em um movimento que reconfigura o elenco e o clima emocional de Cuori, Giulio Scarpati é anunciado como uma das novas presenças na terceira temporada da série, que estreia no dia 1º de fevereiro em primeira-feira na Rai 1. Ambientada nos primeiros anos da década de 1970, no departamento de cardiochirurgia das Molinette, em Turim, a produção retorna com um tom que mistura precisão médica e tensões humanas, servindo como um espelho do nosso tempo.
Os protagonistas Delia Brunello e Alberto Ferraris, interpretados por Pilar Fogliati e Matteo Martari, continuam a confrontar descobertas e práticas que, à época, pareciam futuristas. É nesse cenário — um hospital que funciona como palco e arquétipo de transformação — que entra a figura que Scarpati irá compor: o misterioso sensitivo Gregorio Fois. O personagem promete deslocar a narrativa, introduzindo questões éticas e emocionais que reverberam além do bloco operatório.
Para quem acompanha a trajetória do ator, a chegada de Giulio Scarpati a Cuori 3 carrega ecos de sua carreira: ele se consolidou nacionalmente com a série Un medico in famiglia, tornando-se sinônimo de uma certa familiaridade televisiva que agora se confronta com o enigma. A transição para um papel mais ambíguo e quase oracular pode ser lida como um reframe da sua imagem pública — do médico familiar ao homem que liga corpo, memória e destino.
A decisão de inserir um sensitivo na trama de um drama médico ambientado nos anos 70 não é casual. Em termos narrativos, trata-se de criar um dispositivo que provoca fricção entre ciência e intuição, tecnologia e tradição, um roteiro oculto da sociedade que explora como instituições (como a medicina) lidam com o imprevisível. Essa tensão é a promessa dramática de Cuori 3: os avanços cirúrgicos das Molinette encontram-se com perguntas sobre fé, leitura do corpo e limites do conhecimento.
Do ponto de vista estético e cultural, a presença de um ator veterano como Scarpati funciona como um ancorador emocional. Sua voz e sua presença física trazem uma gravidade que ajuda a série a se posicionar entre o real histórico e a fábula contemporânea — um eco cultural que permite ao público revisitar os anos 70 sob uma lente contemporânea, percebendo os paralelos com debates atuais sobre ciência, autoridade e vulnerabilidade humana.
Com transmissão prevista para domingos e segundas ao longo de seis episódios, a terceira temporada de Cuori promete ser uma temporada de confrontos íntimos e dilemas profissionais, onde cada personagem será testado em suas convicções. A chegada de Gregorio Fois sugere que algumas respostas virão de lugares inesperados — e que o verdadeiro bisturi desta temporada talvez seja a palavra, a intuição e a narrativa que costura corpos e memórias.
Em termos práticos: anote na agenda. No dia 1º de fevereiro, às 21h (horário de exibição na Rai 1), a nova temporada estreia, e com ela um novo capítulo na carreira de Giulio Scarpati, que promete acrescentar camadas de mistério e profundidade ao já rico universo de Cuori.






















