Por Chiara Lombardi — Em mais um ato que mistura charme cinematográfico e roteiro turístico, George Clooney desembarcou em Milão para acompanhar as preparações das Olimpíadas 2026 e não perdeu a chance de transformar um instante cotidiano em pequena cena pública. Ao cruzar áreas do vilarejo olímpico, o astro, com seus 64 anos, lançou aos fotógrafos um comentário carregado de ironia: “Ponham-me filtros para me fazerem parecer mais jovem”.
Houve quem garantisse ter ouvido apenas um cortês “grazie mille”, mas as imagens distribuídas pela ANSA — que o mostram caminhando ao lado de um conhecido, com óculos de lentes espelhadas em tom de azul e uma gola curta sobre o peito — alimentaram essa fala com a leveza de uma anedota de bastidores. Em alguns cliques, o ator parece até ganhar traços que lembram o tenor Andrea Bocelli, um curioso efeito de semelhança que a fotografia pode criar: o espelho do nosso tempo amplificando rostos e arquétipos.
Acompanhado de Amal Clooney, o casal chegou a Milão há cerca de 48 horas e percorreu diversas instalações previstas para os jogos. A agenda trouxe também uma passagem pela inauguração da Omega House e uma visita a um dos restaurantes do chef Carlo Cracco, momentos em que o verniz social e o consumo cultural se encontraram num mesmo enquadramento — o roteiro oculto da sociedade em que celebridade e tradição se entrelaçam.
Como bons turistas-símbolo, George e Amal não deixaram de cumprir um gesto local carregado de superstição: na Galleria Vittorio Emanuele II, seguiram a tradição de pisar no touro. O costume — calcanhar direito sobre o testículo do touro e três giros sobre si — foi repetido por muitos visitantes ao longo das décadas e é interpretado como um pequeno ritual de boa sorte, uma coreografia cívica que sintetiza a relação entre indivíduo, memória e cidade.
Mais do que notícia de tapete vermelho, essa passagem de George Clooney por Milão funciona como um microconto sobre como celebridades habitam, por um breve instante, a paisagem coletiva: um ator que brinca sobre filtros, um casal que adere a superstições urbanas, fotógrafos que transformam a proximidade em imagem. É a semiótica do viral e do cotidiano se cruzando na praça pública — cenário de transformação onde o entretenimento espelha modos de viver e de se mostrar.
Enquanto os preparativos para as Olimpíadas 2026 seguem, gestos assim lembram que a cidade de Milão continua a ser palco de ritos, encontros e pequenas encenações que dizem muito sobre nossa época. E, por ora, o comentário bem-humorado sobre filtros ficou: um convite a refletir sobre o quanto buscamos preservar uma juventude de imagem num mundo cada vez mais mediatizado.






















