Por Chiara Lombardi — Depois da passagem por MasterChef Italia, o jovem de 33 anos Franco decidiu transformar o que antes era paixão em profissão. Nascido em Santa Lucia di Piave, na província de Treviso, Franco havia seguido um roteiro profissional bastante distinto: duas faculdades — Economia e Engenharia de Gestão — e uma posição de destaque como business manager em uma multinacional francesa. Essa trajetória, porém, mudou de ato após a experiência no reality show exibido pela Sky e disponível no Now.
Eliminado no episódio exibido em 22 de janeiro, Franco revelou em entrevista ao Leggo que a participação em MasterChef Italia foi um ponto de inflexão que o fez reavaliar prioridades. “Depois do MasterChef eu continuei a cozinhar, a me divertir. Me demiti e procurei trabalho na cozinha. A oportunidade apareceu: agora a cozinha, que era uma paixão, virou trabalho”, contou ele.
O movimento de trocar o terno pela jaqueta de chef — mesmo que ainda longe das estrelas Michelin — é um tipo de reescrita biográfica que ecoa o roteiro oculto da sociedade contemporânea: profissionais bem-sucedidos que, confrontados com a própria imagem refletida no espelho do tempo, optam por alinhar carreira e identidade. “Sou como um jovem recém-saído da escola”, disse Franco. “Em poucos meses me encaixei bem na equipe. Não é um restaurante estrelado, mas é uma cozinha importante da qual me orgulho.”
As condições práticas também mudaram: “Os horários são duros, o salário mais baixo em relação ao passado, mas o balanço pessoal é claríssimo: sou finalmente feliz“. Franco descreve uma transição que não é simplesmente econômica, mas existencial. Ele trabalhou anos para alcançar o emprego anterior e só depois percebeu que aquele não era, de fato, o que queria — uma realização feita muitas vezes para agradar aos outros. O brilho de viver a paixão, reforçado por MasterChef, fez com que voltar ao escritório parecesse perda de tempo. E o tempo, nas palavras dele, é a coisa mais importante.
Sobre a experiência no programa, Franco reconhece o custo emocional da competição: “Passei pouco tempo com os meus companheiros, não me entenderam realmente. Foi culpa da minha mentalidade sempre focada no objetivo. A competição te devora. Não estava contra ninguém e não pensava em vencer”. Essa reflexão revela a face humana por trás do espetáculo televisivo: a pressão transforma relações e desenha perfis.
Hoje, ao escolher a cozinha como cenário de trabalho, Franco participa de um cenário de transformação onde o oficio culinário funciona como uma semiótica do viral e um reframe da realidade profissional. Embora os comentários na matéria original estejam temporariamente fechados por problemas técnicos, a história segue como um convite para questionarmos o que alimenta nossas escolhas: prestígio ou sentido?
Franco não reivindica estrelato; reivindica coerência. E, nesse gesto de renúncia e reencontro, a sua trajetória funciona como um espelho do nosso tempo — um roteiro íntimo que desafia a ideia de sucesso padronizado e celebra a busca por autenticidade.






















