Chiara Lombardi para La Via Italia — No encerramento de mais uma semana de La Pennicanza, o programa radiofônico apresentado por Fiorello e Biggio na Rai Radio2, o apresentador navegou entre a empatia pela emergência climática e o habitual tom irônico que mistura cultura pop e comentário social. O programa vai ao ar de segunda a sexta às 13h45 na RaiPlay e no canal 202 do digital terrestre.
Na abertura, Fiorello dedicou seu pensamento à Sicília e às localidades atingidas pelo mau tempo: um apelo que funciona como o espelho do nosso tempo, lembrando que, por trás das imagens televisivas, há histórias e memórias que se desfazem quando se perde a casa em que se viveu a vida inteira. “Nos abraçamos fortíssimo a Niscemi, a situação está piorando. Parece coisa que se vê só na TV, mas é outra coisa estar lá… especialmente quando se perde a casa de uma vida”, disse. Em seguida, houve um contraponto: o esforço popular para reabrir os lungomare, uma pequena encenação de resiliência cívica — “é assim que se faz, é preciso levantar-se”. Fiorello também aproveitou para pedir moderação política: “Não é hora de brigas”.
O clima mudou quando o assunto foi Sanremo. O apresentador comentou em tom bem-humorado a confirmação de Achille Lauro como co-condutor do Festival: “A Rai assim economiza nos figurinos: Lauro pode usar os mesmos da Pausini”, brincou. E ainda: “Pode fazer tudo, menos cantar ‘Rolls Royce’: tem que cantar ‘Suzuki’, que é o patrocinador… e não pode fazer cover do Mengoni, essas não pode fazer ninguém!”. A piada funciona como reframe da realidade do showbiz, onde patrocínios e identidade artística se chocam sob os holofotes.
O momento mais comovente da edição foi a conversa por videochamada com o cantor Briga, cujo single “I Sognatori” foi excluído da seleção de Sanremo. Fiorello tocou a faixa ao vivo e declarou apoio: “Eu teria aceitado! Não é uma frecciatina ao Conti — ele tinha 700 canções, claro que muitas boas ficaram de fora”. Em resposta, Briga agradeceu e ainda trouxe uma notícia pessoal: espera uma menina que nascerá no início de abril. Entre risos, falou das opções de nome: “A gente gosta de nomes com A, como Angelica, que é também o nome da sua filha”, referindo-se a Fiorello.
O artista contou que, ao compor “I Sognatori”, não sabia da gravidez e que, por isso, a canção ganhou um caráter quase premonitório — pequeno roteiro oculto que o tempo revelou. Foi um desses instantes em que o entretenimento se torna história pessoal e espelho cultural: uma música que porta memórias e expectativas, muito além da competição.
Para fechar com a habitual mistura de surreal e satírico, houve a sequência-cult: a chamada fingida ao Presidente Mattarella sobre as multas ao pezzotto. “Tira tudo, vai! Mas sim, fizeram bem!”, ironizou Fiorello, antes de deslizar para uma deriva mondana — preparativos para Milão, presentes, uma volta de Lamborghini, e a obsessão estética que acompanha os circuitos do entretenimento: o pequeno teatro público que reconfigura identidade no centro das cidades. “Tenho um brainstorming com a equipe do Nepenta… preciso ver o Sinner!”, concluiu, entre risos.
Nesse mosaico de empatia, ironia e anúncio pessoal, La Pennicanza reafirma seu papel como mais que um espaço de variedades: é um palco onde o zeitgeist se reflete, onde as nuances do cotidiano — do desastre climático à alegria de uma gravidez — se encontram no mesmo roteiro radiofônico.






















