Por Giulliano Martini
Fontes do Ministério da Educação confirmam: não haverá detectores de metais fixos nas escolas, mas sim o uso ocasional de metal detector portáteis — os aparelhos manuais empregados em shows e eventos — mobilizados pelas forças de segurança mediante solicitação dos diretores e coordenação com as prefeituras. A orientação foi tratada pelo ministro Giuseppe Valditara com o ministro do Interior Matteo Piantedosi, antes da partida de Valditara rumo a Cracóvia.
Os gabinetes de Viale Trastevere e do Viminale trabalham em uma circulare conjunta que deve ser assinada pelos dois ministérios dentro de cerca de dez dias; a expectativa é que o documento seja endereçado a todos os dirigentes escolares e publicado até o fim da próxima semana. A medida será um instrumento administrativo, separado do pacote mais amplo de segurança que o governo discute neste mês.
Nas reuniões de gabinete com a primeira-ministra Giorgia Meloni, foram acolhidas propostas do Ministério do Interior presentes em duas linhas de trabalho: um decreto-lei e um projeto de lei. As iniciativas buscam enfrentar a escalada da violência juvenil. Parte das medidas inicialmente previstas no projeto de lei pode, segundo avaliações da maioria, ser antecipada via decreto-lei, assunto ainda em análise com vistas a aprovação num próximo Conselho de Ministros.
Esclarecimento necessário: em Viale Trastevere nunca esteve em estudo equipar escolas com detectores fixos por motivos de custo e logística. Seria impraticável, por exemplo, exigir que os auxiliares escolares revistassem diariamente milhares de alunos. A circular em elaboração prevê, ao contrário, a utilização de aparelhos portáteis que já fazem parte do arsenal de polícias e carabinieri.
Segundo o esboço da orientação, caso um diretor identifique indícios de porte de facas ou outras armas brancas, poderá solicitar às forças de segurança a realização de serviços programados — e ocasionalmente surpreendentes — no horário de entrada, para flagrar estudantes com objetos proibidos. A operação não demandará financiamento adicional, porque as corporações estaduais dispõem desses instrumentos; será necessária apenas coordenação operacional com as prefecturas para definir horários e logística.
O modelo de atuação já tem precedentes: o Instituto Tecnológico “Marie Curie”, no bairro de Ponticelli, em Nápoles, adotou essa prática após pedido da diretora Valeria Pirone, que há três anos solicitou publicamente a presença periódica de forças de segurança com detectores portáteis e cães farejadores. A experiência aponta para intervenções pontuais, calibradas por risco e por necessidade.
No plano político há pressão da Lega para medidas mais rigorosas; por outro lado, Forza Italia mantém cautela, em particular sobre outras propostas do pacote, como normas relativas a repatriações, tema sensível junto ao Quirinale. O balanço entre pressa legislativa e controle institucional permanece a tônica das próximas decisões do governo.
Apuração in loco, cruzamento de fontes ministeriais e checagens com prefeituras e direções escolares formam o núcleo desta reportagem. A circular, quando publicada, deverá detalhar procedimentos, limites de uso e mecanismos de coordenação com as forças de segurança, fornecendo um quadro operacional claro para as escolas públicas italianas.





















