Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a proposta do ministro da Educação, Giuseppe Valditara, de instalar metal detector nas escolas sob solicitação encontra forte rejeição entre os diretores escolares que comandam unidades em bairros mais conflituosos da Itália. Em declarações aos jornais, os responsáveis pelas secundárias definem a ideia como “irrealizável”, “equívoca” e, em muitos casos, “falimentar” do ponto de vista da prevenção.
Valditara afirmou que os equipamentos não seriam generalizados, mas aplicados apenas “quando houver pedido expresso”. A medida surge no contexto da política de endurecimento contra o porte de faca, anunciada pelo governo, e foi interpretada por dirigentes escolares como uma ação essencialmente repressiva, descolada de projetos pedagógicos de longo prazo.
“Antes de tudo é preciso esclarecer que não é praticável”, diz Ludovico Arte, diretor do instituto profissional Marco Polo, situado no bairro Isolotto, em Florença. “Seria um delírio: todas as manhãs, no toque da campainha, teríamos alunos retirando chaves, isqueiros, óculos dos bolsos. O caso de La Spezia precisa ser dimensionado e analisado com foco na dimensão educativa e afetiva.” Para Arte, o problema exige trabalhar comportamentos como ciúme e possessividade entre jovens, não apenas barreiras tecnológicas.
“O metal detector pode proteger as salas, mas não resolve o problema social”, afirma Angelo Cavallaro, dirigente do Instituto Comprensivo Catalfamo, na difícil zona de Santa Lucia, em Messina. “Se uma agressão deixa de ocorrer em uma sala por causa do controle, pode acontecer no pátio ou na entrada. O dispositivo exonera o diretor, mas não a sociedade.”
Giusto Catani, que dirige o Istituto Comprensivo Giuliana Saladino, na via Filippo Parlatore, no CEP de Palermo, reforça o argumento contra uma abordagem puramente punitiva. “Colocamos grades nas janelas diante de atos de vandalismo e não adiantou. A lógica não pode ser somente a repressão. Se um jovem apunhala por ciúmes, é necessário atuar na educação afetiva. A escola sabe o que fazer: educar. Em contexto periférico e com altas taxas de criminalidade, conseguimos reduzir e resolver episódios com trabalho educativo, não só medidas físicas.”
Maria Rosaria Autiero, diretora do liceo Amaldi em Tor Bella Monaca, Roma, resume a frustração: “Se chegarmos a ter metal detector nas escolas, é sinal de um fracasso social. Precisamos nos perguntar quais são as estratégias conjuntas: projetos educativos, apoio às famílias, presença social.”
Entre as críticas práticas levantadas pelos diretores estão ainda o tempo adicional para os controles de entrada, a logística de monitoramento, a deslocação de incidentes para áreas não vistoriadas e a falsa sensação de segurança. Especialistas consultados lembram que medidas tecnológicas sem políticas educativas integradas tendem a transferir o problema, em vez de resolvê-lo.
Conclusão da apuração: a resposta dos diretores em bairros de risco, baseada em experiência direta e histórico de intervenção, aponta para a necessidade de políticas que combinem prevenção, educação afetiva e intervenção comunitária. O debate sobre o uso de metal detector nas escolas segue aberto, mas, no terreno, prevalece a convicção de que a solução não será tecnocrática, e sim pedagógica e social.






















