Por Giulliano Martini
Roma — A Carta docente terá um perfil renovado: menos dotação direta por docente, mas aumento dos recursos voltados à formação e à oferta de serviços vinculados à atividade escolar. O anúncio foi feito em entrevista exclusiva pelo ministro da Educação e do Mérito, Giuseppe Valditara, que informou ainda sobre a extensão do benefício a professores com contratos temporários.
Segundo o ministro, a nova versão da Carta docente reduzirá o montante nominal disponível por professor — que atualmente gira em torno de 400 euros no chamado “carteira eletrônica” —, mas haverá um acréscimo de 270 milhões de euros destinados explicitamente a ações de formação. Esses recursos poderão ser utilizados por meio das escolas para percursos formativos, aquisição de computadores pessoais e para o uso em modalidade híbrida, inclusive por meio de comodato.
“Estamos aguardando a autorização do MEF. Até o fim de fevereiro tudo estará ativo”, declarou Valditara, acrescentando que o universo de beneficiários aumentará significativamente: dos 819 mil professores atuais para mais de um milhão. O ministro afirmou que o governo é o primeiro a atender à obrigatoriedade de estender a Carta também aos precários com contratos até 30 de junho e, em alguns casos, até agosto, em cumprimento a sentença da Corte de Justiça Europeia.
Valditara apontou que a ampliação do benefício faz parte de um pacote de welfare mais amplo em construção: seguros de saúde, cobertura por acidentes de trabalho e durante o trajeto casa-escola para mais de 1,2 milhão de trabalhadores, além de descontos em viagens de trem e avião e em compras essenciais. Sobre processos judiciais em curso, o ministro informou que 75% das sentenças favoráveis a precários que reivindicavam o benefício já foram executadas, com impacto financeiro de aproximadamente 89 milhões de euros, e que o restante dos pagamentos está em fase de conclusão.
As alterações atendem diretamente à decisão europeia que reconheceu o direito ao bônus também para contratos até 30 de junho. A mudança, porém, não passou sem críticas: sindicatos e parte da oposição reclamaram sobre prazos e manutenção do montante integral do benefício.
Representantes sindicais reagiram com cobrança de celeridade. A secretária da Cisl Scuola, Ivana Barbacci, afirmou que a medida “deve ocorrer o mais rápido possível, mantendo intacto todo o benefício”. Fontes da Uil Scuola disseram ao nosso jornal: “É injustificável. Não são mais aceitáveis novos adiamentos”. O coordenador da Gilda, Vito Castellana, criticou a gestão ministerial: “A extensão da Carta docente colocou o ministério em desordem”. Mais dura, a secretária da Flc Cgil, Gianna Fracassi, disse que “deixar os professores nessa incerteza no meio do ano letivo demonstra o pouco valor atribuído à qualificação e valorização do docente”.
Valditara respondeu que a Carta docente poderá ser utilizada e acumulada por dois anos, e que optou por reunir todos os dados sobre a execução orçamentária para definir o uso eficiente dos fundos antes de formalizar os novos critérios. O ministério promete publicar os detalhes operacionais logo após o aval do MEF e iniciar a operacionalização ainda em fevereiro.
Em linhas firmes, a alteração coloca no centro do debate a combinação entre proteção jurídica derivada das decisões europeias e a gestão técnica dos recursos públicos para maximizar a formação e os serviços oferecidos à comunidade escolar. A execução prática das mudanças e o calendário de pagamentos aos precários permanecem os pontos de atenção imediata para sindicatos, escolas e docentes afetados.
Apuração in loco e cruzamento de fontes: continuaremos a acompanhar a tramitação do ato ministerial e a liberação do MEF para reportar impactos práticos aos profissionais da educação.






















