World Economic Forum (WEF) está reavaliando a continuidade de seu encontro anual em Davos, diante do crescimento sustentável do evento que já ultrapassa a capacidade da tradicional vila alpina. A informação, publicada pelo Financial Times e confirmada a fontes próximas às conversas, revela que Larry Fink, presidente da BlackRock e co-presidente interino do conselho do WEF, tem explorado opções que vão desde a transferência definitiva a um modelo de sedes rotativas — com cidades como Detroit e Dublin citadas entre as alternativas.
Na visão de Fink, é necessário remodelar o fórum para mitigar críticas de elitismo e ampliar o acesso além dos líderes políticos e empresariais. Em comunicação interna, ele defende que o WEF deve “aparecer — e ouvir — onde o mundo moderno é efetivamente construído”. Um executivo sênior do próprio Fórum reconheceu que, após quase seis décadas em Davos, a vila alpina começa a mostrar-se inadequada para um encontro que virou “vítima do próprio sucesso”, atraindo dezenas de milhares de participantes, incluindo chefes de Estado e representantes expressivos da sociedade civil.
Os desafios logísticos ganham peso: escassez de acomodações, custos elevados com segurança e infraestrutura física limitada foram apontados por dirigentes como entraves crescentes, especialmente em anos de participação recorde. A chegada de figuras de alto perfil — citou-se publicamente a participação esperada do presidente dos EUA, Donald Trump — tende a agravar a complexidade operacional do evento. Ainda assim, manter o WEF na Europa e preservar laços estreitos com a Suíça permanecem prioridades para muitos membros da direção, bem como para o governo suíço, que ressalta a importância histórica e econômica de Davos para a região.
As discussões sobre a sede coincidem com mudanças relevantes na liderança do Fórum. Larry Fink e André Hoffmann, vice-presidente da Roche, assumiram como presidentes interinos do conselho após a saída do fundador Klaus Schwab em abril. A renúncia de Schwab seguiu investigações e acusações relacionadas a irregularidades financeiras e de governança. Embora apurações posteriores não tenham encontrado indícios de crime ou ilicitude material, identificaram algumas irregularidades administrativas, o que motivou uma nova fase de reavaliação estratégica por parte da direção provisória.
Oficialmente, o World Economic Forum mantém a defesa da sede de Davos, valorizando seu legado histórico e os benefícios turísticos e econômicos que traz à região. É previsível que o governo suíço e grandes empresas nacionais se oponham a qualquer transferência definitiva. Ainda assim, o relatório do Financial Times indica que tanto a BlackRock quanto o próprio WEF conduziram estudos preliminares sobre alternativas, sinalizando que a organização busca calibrar seu formato — uma espécie de “reengenharia” do encontro global — para acompanhar a aceleração das demandas do mundo contemporâneo.
Do ponto de vista de gestão e economia global, trata-se de uma decisão que envolverá trade-offs complexos: preservar tradição e benefícios regionais versus ampliar inclusão, reduzir gargalos logísticos e adequar a escala do evento. Em linguagem de engenharia financeira, o WEF avalia ajustar o “motor da economia” que é o seu encontro anual, recalibrando peças do design institucional para manter performance e relevância sem perder controle sobre os custos e os freios necessários à governança.
Para executivos e formuladores de políticas, a frente aberta por Larry Fink representa uma oportunidade de repensar formatos de diálogo global, com foco em eficácia e representatividade. A possível mudança de sede, portanto, não é apenas logística: é um sintoma de transformação institucional, reflexo de uma organização em busca de maior resiliência e capacidade de influência num cenário geoeconômico em rápida mutação.






















