Por Stella Ferrari — Em mais uma manobra de alta eficiência industrial e responsabilidade ambiental, a TBM (Tunnel Boring Machine) recondicionada pela Wem — Webuild Equipment & Machinery está pronta para entrar em operação e escavar os 7 km de túnel do Lote 2 da Linha 15 Oeste do Grand Paris Express. O contrato tem valor global estimado em €1,38 bilhão e consolida a dupla NGE e Webuild no coração do maior programa de mobilidade e requalificação urbana em curso na Europa.
O trecho a ser perfurado ligará as estações Bécon-les-Bruyères e Saint-Denis-Pleyel, entre Courbevoie e Saint-Denis, e integra a futura Linha 15, destinada a se tornar a mais extensa da França, atravessando 45 municípios e 4 departamentos da região Île-de-France. Cerca de 95% das estações da linha serão interconectadas à malha existente (Transilien, RER, metrô, tram e ônibus), reforçando o papel do projeto como motor da transformação urbana.
Já utilizada anteriormente por NGE e Webuild no Lote 2 da Linha 16, a TBM foi completamente recondicionada para atender às exigências técnicas do novo contrato. Com mais de 100 metros de comprimento e uma cabeça fresante de 9,86 metros de diâmetro, a máquina iniciará a perfuração a partir de setembro, após desmontagem e transporte para os canteiros parisienses nas próximas semanas.
Do ponto de vista técnico e ambiental, o projeto incorpora soluções de economia circular: estão previstos o assentamento de cerca de 23.000 segmentos de revestimento, dos quais 79% em concreto fibrorreforçado, e a extração aproximada de 500.000 m³ de material de escavação — 80% desse volume será reempregado. O uso de concreto fibrorreforçado reduz pela metade a quantidade de aço necessária para os segmentos, aumentando resistência e durabilidade, uma calibragem eficiente entre custo e performance.
Uma decisão operacional de impacto foi a opção pelo transporte fluvial do material escavado. Deslocando os detritos por rio até os locais de destinação, o consórcio evita cerca de 64.000 viagens de caminhão pela via urbana, diminuindo custos, congestionamento e as emissões de CO2 associadas ao transporte rodoviário. Essa escolha industrial alia eficiência logística e redução de pegada de carbono — freios fiscais e ambientais bem aplicados na execução do projeto.
Para NGE e Webuild, esta nova missão da talha mecânica não apenas demonstra continuidade industrial e domínio técnico no Grand Paris Express, mas também evidencia uma estratégia de prolongamento da vida útil de ativos críticos. Recondicionar e reaproveitar uma TBM é uma decisão de governança industrial que otimiza recursos, reduz custos de capital e compõe uma resposta concreta à agenda de sustentabilidade.
Em termos de parceria, o novo contrato reafirma a aliança entre NGE e Webuild — o terceiro empreendimento conjunto no Grand Paris Express — e coloca novamente a dupla no centro de um projeto cuja escala exige precisão de engenharia e excelência logística. Como estrategista com foco em alta performance, vejo nesta operação uma sinergia entre design de políticas industriais e execução tática: investimento bem calibrado, redução de custos operacionais e mitigação das externalidades ambientais.
A entrega da TBM marca, portanto, uma etapa decisiva para o Lote 2 da Linha 15 Oeste. À medida que a máquina começa sua jornada de perfuração, o projeto acelera não apenas em metros de túnel, mas na construção de um legado de eficiência e sustentabilidade para a mobilidade metropolitana do futuro.






















