Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Stella Ferrari — Em um movimento de grande escala para recalibrar sua arquitetura de custos e proteger o caixa, o Grupo Volkswagen projeta uma redução de custos de 20% a nível global até 2028, uma estratégia que levaria a um economia de aproximadamente 60 bilhões de euros. Paralelamente, a administração já teria blindado a liquidez do grupo em cerca de 6 bilhões de euros.
As diretrizes desta ofensiva foram apresentadas de forma reservada em meados de janeiro de 2026 pelo CEO Oliver Blume e pelo CFO Arno Antlitz a uma plateia de 120 top managers. Segundo fontes jornalísticas alemãs, a mensagem central foi clara: diante de uma conjuntura mais adversa, é necessário ajustar o design de políticas internas para restaurar desempenho e resiliência.
O plano responde a três ventos contrários que afetam o motor da economia automobilística do grupo: o arrefecimento da demanda na China, o endurecimento das tarifas nos EUA e uma competição mais intensa no segmento de veículos elétricos. Para mitigar riscos de liquidez e de crédito, o CFO teria concluído operações de venda de carteiras de recebíveis, compondo a reserva de caixa de 6 bilhões de euros.
Embora os detalhes operacionais ainda não tenham sido formalmente divulgados, as linhas de ação previstas incluem a possibilidade de fechamento de algumas unidades produtivas e uma integração industrial mais profunda entre as marcas do grupo, com o objetivo de eliminar redundâncias e maximizar sinergias.
Essa nova ofensiva de cortes soma-se às iniciativas já em curso para a marca núcleo Volkswagen: havia um plano para recuperar 11 bilhões de euros em eficiência operacional até 2026. No entanto, as turbulências de mercado provocaram um ajuste de cronograma: a meta de margem operacional de 6,5%, inicialmente prevista para 2026, foi oficialmente adiada para 2029.
O rebaixamento do outlook por parte da agência S&P Global Ratings para perspectiva “negativa” no final de 2025 pressiona adicionalmente a gestão a acelerar a calibragem financeira. Em suma, trata-se de um reposicionamento estratégico que busca equilibrar austeridade e investimento, preservando a capacidade competitiva no curto e médio prazo.
Até o momento o Grupo Volkswagen não emitiu comunicado público sobre os novos objetivos. A expectativa é que, nas próximas semanas, a empresa detalhe medidas concretas, calendários e impactos para fornecedores e empregados.
Como estrategista de mercado, avalio que essa manobra é uma execução de freios seletivos acompanhada de uma reengenharia do portfólio: se bem calibrada, pode devolver eficiência e caixa; se excessivamente agressiva, corre o risco de degradar capacidade industrial e inovação em um setor que exige investimentos contínuos em tecnologia.






















