Por Stella Ferrari — Com as cotações do ouro alcançando níveis recorde nos mercados internacionais, cresce de forma sensível o número de cidadãos que optam por se desfazer de colares, anéis e pulseiras em estabelecimentos do tipo “Compro ouro” em troca de liquidez imediata. O alerta vem do Codacons, que chama atenção para o risco de transações ambíguas e de condições desvantajosas — verdadeiras fraudes — contra consumidores que buscam aproveitar a valorização do metal.
Como economista com foco em alto desempenho e análise de mercado, interpreto esse movimento como uma aceleração das tendências: quando o preço do ouro funciona como um motor que impulsona decisões individuais de liquidez, as estruturas de compra precisam estar afinadas para não gerar perda patrimonial. O Codacons recomenda cautela e algumas regras práticas que reduzem a exposição a golpes e práticas comerciais opacas.
Principais orientações para quem pretende vender ouro
Antes de conferir propostas em balcões de compra, considere estes cuidados essenciais:
- Verifique a cotação diária: consulte a cotação internacional e a cotação local do dia para ter um parâmetro de negociação, evitando aceitar ofertas muito abaixo do mercado.
- Pese os itens em balança certificada: exija que a pesagem seja feita em balança calibrada e visível ao cliente, e peça comprovante por escrito.
- Confirme o teor (quilates): peça a identificação do teor do ouro e, quando possível, a leitura de marcas e carimbos que atestem a pureza; joias de diferentes quilates têm valores distintos.
- Solicite documentação: exija contrato com discriminação dos itens, peso, preço por grama adotado e identificação do estabelecimento. Guarde uma cópia.
- Compare propostas: consulte mais de um comprador e, se necessário, procure ourives ou avaliadores independentes antes de fechar negócio.
- Atenção a pagamentos em dinheiro não documentados: prefira transações com comprovante fiscal ou transferência bancária, reduzindo risco e facilitando rastreabilidade.
- Desconfie de pressões: ofertas que exigem decisão imediata ou alegam prazo limitado costumam ser estratégia de vantagem indevida.
Além das medidas práticas, avalie alternativas à venda imediata: manter parte das peças, transformá-las em investimento mais seguro (como certificados) ou buscar empréstimos com garantia podem ser soluções que preservam valor e liquidez.
O papel do regulador e das associações de defesa do consumidor é funcionar como um sistema de freios fiscais e controles: procedimentos claros, fiscalização sobre os pontos de compra e campanhas de informação reduzem assimetrias entre quem vende e quem compra. Para o vendedor individual, a calibragem do processo — informação, documentação e comparação — é a melhor proteção.
Em suma, com o ouro em patamar recorde, a oportunidade de realizar ganhos existe, mas exige procedimentos técnicos e criteriosos. Siga as orientações do Codacons, exija documentação e não abra mão de comparar ofertas: a diferença entre uma transação vantajosa e uma perda significativa pode estar em poucos detalhes de avaliação.
Stella Ferrari — Economista sênior, voz de economia e desenvolvimento da Espresso Italia. Estratégia, precisão e visão global para decisões financeiras de alta performance.






















