Por Stella Ferrari — Em um ano que funcionou como uma rigorosa calibragem de motores para o setor bancário europeu, a UniCredit finalizou 2025 com um lucro líquido recorde de €10,6 bilhões, crescimento de 14% ante 2024. O desempenho supera expectativas e confirma a instituição entre as mais eficientes em geração de capital e retorno sobre capital investido.
Para 2026, o banco comunicou uma previsão ambiciosa: receitas líquidas superiores a €25 bilhões (alta de 5%), custos operacionais iguais ou inferiores a €9,4 bilhões (queda de 1%) e um lucro líquido em torno de €11 bilhões, com um ROTE superior a 20%. Esse plano revela uma estratégia de aceleração de tendências, com foco em eficiência e geração de caixa.
A administração também anunciou a intenção de distribuir aproximadamente €30 bilhões aos acionistas nos próximos três anos e cerca de €50 bilhões em cinco anos, excluindo decisões pontuais sobre capital excedente que serão avaliadas ano a ano. Trata-se de uma política de retorno que sinaliza confiança na solidez do balanço e na continuidade da geração orgânica de capital.
O quarto trimestre encerrou com lucro líquido de €1,8 bilhão, um recuo de 30,3% em relação ao trimestre anterior e -17,2% em base anual. Ainda assim, o ano foi descrito pela instituição como “de recorde”, mesmo com a antecipação de encargos extraordinários de €1,4 bilhão — contabilizados em receitas de negociação e encargos de integração — destinados a robustecer a trajetória de médio prazo.
Os números completos de 2025 evidenciam essa robustez: receitas totais de €24,5 bilhões e receitas líquidas de €23,9 bilhões, patamares alinhados ao ano anterior apesar do impacto de taxas de juros menores. O ROTE ficou em 19,2%, com avanço de 1,5 ponto percentual, refletindo ganhos de produtividade e margem operacional.
A qualidade dos ativos permanece sólida: a razão entre exposições deterioradas líquidas e crédito total ficou em 1,6%, enquanto o custo do risco foi contido em 15 pontos base. As reservas extraordinárias (overlays) permaneceram em cerca de €1,7 bilhão. As despesas operacionais totalizaram €9,4 bilhões, com um índice custo/receita de 38%, entre os melhores do setor, mesmo absorvendo o aumento do perímetro e investimentos significativos para sustentar o crescimento futuro.
O CET1 ratio fechou em 14,7%, sustentado por uma geração orgânica de capital de 382 pontos base durante 2025, que compensou distribuições de €9,5 bilhões e efeitos contábeis relacionados ao consolidation de investimentos. A leve redução ano a ano no CET1 é atribuída a impactos pontuais regulatórios e à contribuição extraordinária do setor bancário na Itália.
Andrea Orcel, CEO da UniCredit, destacou: “Alcançamos mais uma vez crescimento e rentabilidade recordes em 2025, com €10,6 bilhões de lucro líquido e um ROTE de 19,2%, marcando 20 trimestres consecutivos de expansão rentável e geração de capital, superando nossas próprias projeções”. Orcel ressaltou que os encargos extraordinários de €1,4 bilhão foram antecipados para fortalecer a trajetória de médio prazo.
Do ponto de vista estratégico, a mensagem é clara: a UniCredit ajustou seus freios e aceleradores com precisão, equilibrando retorno ao acionista, investimentos em crescimento e manutenção de capital de qualidade. Para investidores e observadores do mercado, o banco reafirma seu papel como motor confiável na paisagem financeira europeia, capaz de conjugaar disciplina de custos com ambições de expansão.
Em resumo, os indicadores de 2025 e as orientações para 2026 consolidam a posição da UniCredit como um case de alta performance no setor bancário, com capacidade de distribuir valor relevante aos acionistas sem comprometer a solidez do capital.





















