Começou no castelo de Alden-Biesen, em Bilzen nas Flandres, o pré-summit informal sobre competitividade da UE, com a presença de figuras de destaque como Kaja Kallas e Mario Draghi. Em discurso claro e direto, a Alta Representante da União Europeia defendeu que reforçar a União é melhor do que levantar novas barreiras: “Sou liberal: se nos tornarmos mais fortes, não precisamos de protezionismo”.
O encontro, convocado por Itália, Bélgica e Alemanha antes do summit informal, chega num momento em que o debate global sobre tarifas, proteção industrial e a capacidade de competir com Estados Unidos e China está em plena aceleração. Kallas colocou-se ao lado de uma visão liberal, enfatizando que a solução passa pela integração e pela eficácia do projeto europeu — uma espécie de calibragem de políticas onde o motor da economia gira com menos atrito.
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, traçou o roteiro para o ano: “Como o ano passado foi o ano da defesa, este será o ano da competitividade da UE”. Costa identificou quatro prioridades centrais: aprofundar o mercado único; aumentar a escala das empresas europeias, incluindo as grandes, o que exige mercados de capitais vibrantes; manter uma política comercial proativa no atual contexto geoeconômico; e investir mais e melhor, combinando capitais privados e públicos.
À chegada, o premier húngaro Viktor Orban apresentou sua receita pragmática para estimular o crescimento: primeiro, “parar a guerra” na Ucrânia, que, segundo ele, prejudica os negócios; segundo, “não enviar mais dinheiro para a Ucrânia”; terceiro, reduzir ao máximo os preços da energia. São propostas que tocam diretamente as linhas de pressão sobre o custo de produção e a competitividade industrial.
Entretanto, no mesmo tom de urgência, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou na véspera que a dívida comum é “o único modo” de a União manter-se competitiva face a Estados Unidos e China. A ideia de um instrumento financeiro europeu partilhado emerge como alternativa para aumentar a escala de investimento e minimizar os riscos assimétricos entre Estados.
O cenário no castelo, sob um céu carregado e chuva persistente, reuniu ainda preocupações logísticas e de segurança: foram detectados sinais de protesto rural — buzinas de tratores podiam ser ouvidas à distância — e havia um plano B para transferir o encontro a Bruxelas. No entanto, segundo fontes, a polícia conseguiu conter os acessos e manter os protestos a uma distância que não inviabilizou o debate.
Na véspera, procedimentos de segurança típicos de um Conselho Europeu formal foram adotados: o edifício Europa Building foi vasculhado, e residentes receberam notificações sobre restrições de acesso. O primeiro-ministro belga Bart De Wever, líder do N-VA flamengo, confirmou o sentido de urgência que permeia as discussões.
O chanceler alemão Merz — referido no encontro com apelos à necessidade de “coragem” nas decisões — e a participação de Mario Draghi reforçam o caráter técnico e político do debate. Como analista e estrategista, observo que as deliberações aqui se parecem com a afinação de um motor de alto desempenho: é preciso otimizar vários componentes ao mesmo tempo — mercado, capital, energia e segurança — para garantir aceleração sustentável da economia europeia sem travões desnecessários.
Em síntese, o pré-summit em Alden-Biesen sinaliza que a UE escolhe, por ora, a via da integração e do reforço interno como resposta aos desafios externos. A discussão sobre dívida comum, mercados de capitais e políticas industriais continuará a marcar o ritmo das decisões futuras, com impacto direto sobre empresas, investimentos e a capacidade de competir no palco global.





















