Por Stella Ferrari — A palavra de ordem desta semana em Bruxelas é competitividade. Em um fluxo estratégico que combina diplomacia e indústria, a União Europeia promove três encontros consecutivos com um único propósito: recuperação e modernização do seu tecido industrial. A sequência se inaugura em Antuérpia, onde cerca de mil empresários europeus se reunirão em torno de uma plataforma de dez pontos lançada em 2024, com a ambição de desenhar um verdadeiro Industrial Deal capaz de responder com rapidez à transformação tecnológica e geopolítica.
Entre as presenças anunciadas estão líderes de peso — o presidente francês Emmanuel Macron, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen, o líder alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro belga Bart De Wever — todos prontos para ouvir as demandas do setor produtivo. O encontro em Antuérpia antecede uma etapa ainda mais estratégica: o Conselho Europeu em formato de retreat, marcado para o Castelo de Alden Biesen, que será precedido por um pré-cume convocado por Bélgica, Alemanha e Itália e que deverá reunir cerca de vinte chefes de Estado e de Governo.
O pré-vertice servirá para reafirmar a posição de Berlim e Roma sobre a necessidade de simplificação normativa — uma reforma que possa romper o atual impasse institucional provocado pela tomada de decisões a 27 e devolver maior poder de ação aos Estados-membros. A possibilidade de flexibilizar a exigência da unanimidade, apontada pela presidente Von der Leyen em carta preparatória, é um sinal de que Bruxelas considera mudanças estruturais para acelerar a tomada de decisão.
As três reuniões compõem uma agenda coerente sobre soberania europeia e aceleração da competitividade, quase dois anos após os relatórios técnicos apresentados por Enrico Letta e Mario Draghi. O retiro informal — que contará com a presença dos dois ex-premiers italianos — será aproveitado para avaliar o grau de implementação das recomendações e para buscar soluções que contornem a lentidão decisória que hoje penaliza a União num ambiente global em rápida mutação.
Nos briefings preparatórios, a palavra que mais reaparece é “ritmo”: a Europa precisa ditar a sua própria agenda, em vez de apenas reagir às grandes potências económicas como Estados Unidos e China. Os capítulos estratégicos apontados para receber investimentos e políticas públicas são claros: inteligência artificial, espaço, cleantech, biotech, medtech, defesa, semicondutores e robótica. Estes setores são vistos como a engenharia de ponta do futuro industrial europeu, onde é preciso acelerar para recuperar liderança tecnológica atualmente detida por gigantes americanos e chineses.
No debate também ganhará espaço a ideia de uma “preferência europeia” nas contratações públicas, com o objetivo de fortalecer empresas que produzem dentro da União — uma proposta já mencionada publicamente por Von der Leyen. A competitividade está, muitas vezes, intrinsecamente ligada à velocidade dos processos: um exemplo eloqüente é o Mercosul. Depois de 25 anos de negociações e de uma assinatura simbólica no Paraguai, o acordo foi travado no Parlamento Europeu, que recorreu à Corte de Justiça, podendo postergar o desfecho por mais dois anos.
Se o motor da economia europeia for calibrado com decisões mais rápidas e políticas industriais precisas, a União poderá converter talento e capital em vantagem competitiva. A próxima semana será, na prática, um teste de aceleração: sem freios excessivos, a Europa tem a oportunidade de retomar a rédea de seu desenvolvimento industrial e traçar um caminho rumo à autonomia estratégica.






















