Enrico Folgori, presidente da FEOLI (Federação Europeia dos Operadores de Logística Integrada), lançou um alerta firme à União Europeia: é urgente uma intervenção coordenada para resguardar a indústria automotiva europeia diante da crescente pressão da concorrência asiática, especialmente a chinesa. Segundo Folgori, os números de vendas mostram uma trajetória de queda que exige medidas precisas sobre produção, power units elétricas e baterias.
“O Green Deal marcou uma virada necessária na agenda ambiental, mas acabou acelerando também a expansão de concorrentes asiáticos que registram performances recorde. A Europa não pode permanecer passiva”, afirmou Folgori, destacando o risco de desindustrialização e perda massiva de empregos ao longo da cadeia — das fábricas aos fornecedores e ao indústria de logística.
Em termos práticos, o presidente da FEOLI defende um pacote de ações: incentivos e subsídios direcionados para manter capacidade produtiva no continente; programas específicos para desenvolvimento de novas power units elétricas e cadeias de suprimento de baterias; e uma política de apoio à reconversão da frota de transporte, do térmico para o híbrido avançado e o elétrico, com medidas fiscais consistentes e estímulos financeiros.
Do ponto de vista macroeconômico, essa demanda é, nas palavras de quem acompanha mercados de alto desempenho, uma calibragem necessária do “motor da economia”: sem ajustes, os freios fiscais e a falta de coordenação poderão acelerar a perda de competitividade industrial na Europa. A solução passa por uma política industrial de sistema, articulada entre Bruxelas, governos nacionais e o setor privado.
Folgori lembra que famílias e empresas tendem a optar por veículos mais baratos se não houver contrapartidas que tornem a produção europeia competitiva em custo e tecnologia. Por isso, além de apoio direto à produção, é essencial financiar programas de inovação, parcerias público-privadas e linhas de crédito para modernização das plantas e da logística, garantindo a integridade do ecossistema produtivo.
Para o setor logístico, a transição não pode ser tratada como um efeito colateral: é parte integrante do plano industrial. Incentivos específicos para renovação de frotas, infraestrutura de recarga e formação técnica são necessários para que a malha de transporte europeia acompanhe a transição energética sem criar gargalos operacionais.
Em suma, conclui Folgori, a União Europeia deve agir rapidamente e com instrumentos calibrados para assegurar que a indústria automotiva europeia não perca tração frente a competidores que se beneficiaram de estratégias agressivas de escalonamento. “Não há tempo a perder”, disse o líder da FEOLI, numa chamada que combina pragmatismo econômico com senso de urgência industrial.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista em desenvolvimento industrial, voz da La Via Italia.






















