Por Stella Ferrari — A abertura dos principais pregões europeus teve hoje uma clara resposta de aceleração às declarações do presidente Trump. O anúncio de um acordo preliminar sobre a Groenlândia e a retirada dos dazi previstos para 1º de fevereiro em relação aos países europeus que enviaram tropas à ilha serviram como catalisador para uma onda de risco positiva entre investidores.
Em Milão, a Bolsa abriu em alta de aproximadamente 1%, enquanto Frankfurt registrou +1,03% e Paris +1,21%; Londres mostrou-se mais cautelosa, com abertura a +0,66%. A reação não se limitou à Europa: nas praças asiáticas o impulso foi bem recebido. Tóquio fechou com o Nikkei em alta de 1,76% e Seul marcou um novo recorde histórico para o índice Kospi, que pela primeira vez superou os 5.000 pontos, sustentado pelo desempenho dos papéis de tecnologia.
No fechamento americano, a sessão também trouxe ganhos generalizados: o Dow Jones avançou +1,21% e o Nasdaq subiu +1,16%, refletindo um sentimento de alívio e maior apetite por risco entre gestores de portfólio.
Paralelamente, manteve-se a tendência de alta no mercado do ouro, que segue acima da marca de 4.800 dólares por onça. Esse movimento confirma o papel do metal como porto seguro em um contexto ainda permeado por incertezas geopolíticas — um termômetro que indica que, apesar da aceleração nos ativos de risco, os investidores continuam calibrando blindagens defensivas.
Do ponto de vista macro, a notícia sobre a Groenlândia remove temporariamente um ponto de tensão nas relações transatlânticas e reduz a probabilidade de medidas tarifárias imediatas contra aliados europeus. Em linguagem de engenharia de políticas, foi como soltar os freios fiscais que ameaçavam frear a dinâmica de comércio e investimento entre as duas margens do Atlântico. Para os mercados, a retirada dos dazi representou uma calibragem positiva que liberou liquidez e ajustou expectativas de risco.
Contudo, a leitura racional exige cautela: ganhos de mais de 1% nas principais praças e recordes em índices setoriais costumam trazer correções rápidas caso novas variáveis políticas ou dados macroeconômicos surpreendam. A situação atual se assemelha a um motor que ganhou maior torque — a aceleração é real, mas exige monitoramento fino da temperatura e amortecedores das políticas monetárias.
Para gestores e investidores de alta performance, o cenário exige reposicionamento tático: exposição a ativos cíclicos pode ser aumentada com disciplina de risco, enquanto posições em ouro e outras reservas continuam como hedge estratégico. A sequência de sessões nos próximos dias dirá se o movimento é sustentável ou apenas um reajuste técnico impulsionado por notícias políticas.
Em suma, as palavras de Trump funcionaram hoje como um sinal claro para os mercados financeiros — proporcionando uma onda de confiança no curto prazo, sem, entretanto, eliminar por completo a necessidade de gestão de risco em um ambiente geopolítico ainda volátil.






















