Por Stella Ferrari — A partir de quinta-feira, 5 de fevereiro, a área oeste de Tokyo recebe uma nova peça no tabuleiro do turismo e do entretenimento: abre o primeiro parque permanente ao ar livre dedicado aos Pokémon, batizado de PokéPark Kanto. Instalado dentro do complexo Yomiuriland, entre Inagi e Kawasaki, na prefeitura de Kanagawa, o projeto foi concebido para captar tanto a demanda doméstica quanto os fluxos internacionais em aceleração.
Com cerca de 26.000 metros quadrados, o PokéPark Kanto estrutura-se em duas zonas complementares. A primeira, Pokémon Forest, é um percurso verde de aproximadamente 500 metros onde a experiência privilegia o ritmo de caminhada: visitantes se deslocam como treinadores, por colinas, túneis e trilhas rochosas, encontrando mais de 600 criaturas representadas por modelos e instalações em escala. A segunda, Sedge Town, reproduz um ambiente de praça-cidade com opções de comércio e alimentação temática.
Ao contrário de parques centrados em adrenalina, aqui a proposta é imersiva e exploratória. Em Sedge Town há lojas com merchandising exclusivo, cardápios temáticos e duas atrações principais: “Pika Pika Paradise”, um passeio dedicado ao Pikachu, e “Vee Vee Voyage”, uma giostra com múltiplos personagens do universo Pokémon. A programação inclui ainda eventos diários na área chamada “Gym”, com encontros com personagens e desfiles em horários definidos.
No front da bilheteria, o site oficial lista três modalidades: Ace Trainer’s Pass, Trainer’s Pass e Town Pass (este último com venda prevista a partir de maio). Os valores variam conforme a data: o Ace Trainer’s Pass parte de 14.000 ienes (aprox. 75 euros) por adulto e inclui acesso às áreas, uso das atrações e assento reservado para um dos shows; o Trainer’s Pass começa em 7.900 ienes (cerca de 43 euros) com atrações pagas à parte e reserva para espetáculos; o Town Pass parte de 4.700 ienes (aprox. 26 euros) e dá acesso limitado à Sedge Town. Em todas as opções está incluso o ingresso ao Yomiuriland. Segundo o Japan Times, as vendas antecipadas já aparecem esgotadas até o início de abril.
O lançamento integra um momento de forte dinamismo para o Japão: em 2025 os chegadas internacionais alcançaram um recorde de 42,7 milhões de visitantes, com gastos médios em elevação e um câmbio favorável que acelerou a retomada do setor. Do ponto de vista macroeconômico, projetos assim atuam como um motor adicional para o turismo e o consumo local, exigindo uma calibragem fina entre oferta e gestão da capacidade — ou seja, freios e aceleradores bem ajustados para manter qualidade e receita.
Como estrategista de mercado, observo que a aposta é dupla: transformar uma marca global em experiência física premium e capturar turistas de alto valor agregado. Em termos de retorno, a combinação de experiência imersiva, merchandising exclusivo e bilhética segmentada pode funcionar como uma caixa de câmbio dinâmico, aproveitando tanto o impulso do turismo internacional quanto a lealdade doméstica.
Com assentos e ingressos já em alta demanda, resta monitorar a capacidade de operação e a elasticidade de preços nas próximas semanas — indicadores essenciais para medir se o projeto acelerará consistentemente ou exigirá ajustes de política comercial.






















