TIM iniciou a fase operacional para transformar os títulos de poupança (as chamadas RNC) em ações ordinárias, um movimento corporativo que exigirá um esborso financeiro superior a €700 milhões. A decisão, aprovada pela assembleia de acionistas, marca uma calibragem importante na estrutura de capital do grupo, com efeitos imediatos sobre liquidez e participação acionária.
O processo, que será ativado nas próximas semanas, oferece aos detentores das RNC duas rotas: a adesão voluntária ou a conversão automática. Na opção voluntária, cada título convertido dará direito a uma ação ordinária mais um conguaglio em dinheiro de €0,12 por papel. Na conversão forçada, o prêmio em espécie cai para apenas €0,04.
Do total previsto para o desembolso, uma parcela significativa corresponde ao pagamento de dividendos atrasados devidos às ações de poupança — logo, boa parte da cifra não deve ser lida como custo adicional puro, mas como liquidação de obrigações pré-existentes.
O mercado reagiu positivamente: as ações ordinárias de TIM subiram cerca de 15% desde o anúncio, enquanto as ações de poupança avançaram aproximadamente 19%, alcançando cotações não vistas desde 2018. Esta resposta demonstra que os investidores interpretam a conversão como uma simplificação da estrutura acionária e uma redução dos riscos associados às ações de poupança.
Entre os beneficiários da mudança, Davide Leone, fundador da Dl&Partners, assume papel central. No final de 2024, Leone havia consolidado perto de 12% das RNC, depois de um investimento inicial estimado em €170 milhões. Pela adesão voluntária, receberá cerca de €88 milhões em dinheiro e ficaria com um lote de ~736 milhões de ações ordinárias, que, aos preços atuais, representariam aproximadamente €430 milhões — conferindo-lhe uma participação em torno de 3% do capital pós-conversão.
Outros investidores institucionais também figuram entre os maiores contemplados. A Norges Bank, com 310 milhões de títulos RNC, receberá cerca de €37 milhões em liquidez e ações avaliadas em aproximadamente €180 milhões. O grupo Vanguard, detentor de 253 milhões de RNC, converte em cerca de €30 milhões em cash e ~€148 milhões em ações ordinárias. A lista de top beneficiaries inclui ainda o asset manager francês Syquant Capital (aprox. €30 milhões em dinheiro e €145 milhões em ações).
Do ponto de vista estratégico e macroeconômico, trata-se de uma manobra para racionalizar a estrutura societária e reduzir fricções entre classes de ações — uma mudança que, em termos de “motor da economia” corporativa, visa aumentar a eficiência do capital e tornar a governança mais transparente. A operação exige, porém, uma gestão fina de caixa e comunicação com os investidores: é a fase de “calibragem” em que o conselho atua como engenheiro-chefe, ajustando pressões e tensões para garantir que o motor corporativo opere sem solavancos.






















