Por Stella Ferrari — 03/01/2026
O 2025 representou uma mudança estrutural no motor da economia automotiva: a Tesla encerrou o ano com entregas em queda, enquanto o grupo chinês BYD consolidou a posição de maior fabricante mundial de veículos elétricos a bateria.
No quarto trimestre, a Tesla reportou **418.227** veículos entregues, uma redução de **16%** na comparação anual e abaixo das cerca de **426 mil** unidades esperadas pelo mercado. A produção no período ficou em **434.358** veículos. No acumulado do ano, as entregas somaram **1,64 milhões** de unidades, contra **1,79 milhão** em 2024 — uma queda de **8,6%**, e o segundo recuo anual consecutivo para a montadora americana. As estimativas dos analistas apontavam para aproximadamente **1,65 milhão** de veículos, número ligeiramente superior ao realizado.
Os relatórios regionais ajudam a explicar a dinâmica: segundo dados da ACEA, nas primeiras 11 meses de 2025 as matriculações da Tesla na Europa caíram **39%**, enquanto as da BYD subiram impressionantes **240%** no mesmo intervalo. Esse deslocamento regional foi determinante para a mudança de liderança global.
O balanço anual do BYD mostra entregas totais de **4,6 milhões** de veículos, um crescimento de **7,7%** em relação a 2024. Focalizando o segmento de **veículos elétricos a bateria (BEV)**, o grupo chinês vendeu **2,26 milhões** de unidades em 2025, superando os volumes anuais da Tesla e posicionando-se como o maior fabricante mundial desse segmento.
Do ponto de vista do mercado financeiro, a reação foi contida: na abertura de Wall Street em 2 de janeiro as ações da Tesla avançaram **0,6%** no Nasdaq, sinalizando que parte do enfraquecimento já estava precificada pelos investidores. Ainda assim, os olhos seguem voltados para o dia **28 de janeiro**, data em que a Tesla divulgará os resultados financeiros completos do quarto trimestre — um momento-chave para avaliar margens operativas, estratégias de precificação e a calibragem de capacidade produtiva diante de uma concorrência global mais aguerrida.
Como estrategista de mercados, enxergo essa transição como uma mudança de marcha na cadeia global dos elétricos: a aceleração de players chineses como a BYD força uma reavaliação da estratégia da Tesla — desde desenho de produtos até políticas de preços e logística. A competição não é apenas de volume, mas de arquitetura de custos e de acesso a cadeias de suprimento críticas, que determinam quem terá tração sustentável ao longo da próxima década.
Em suma, 2025 foi um ano de recalibragem: a liderança global dos veículos elétricos mudou de mãos, e as decisões que serão tomadas nos próximos meses definirão se a Tesla recupera aceleração ou se consolida uma nova ordem mundial de produção automotiva.



























