Por Stella Ferrari — As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre importações passaram a valer às 6h (horário da Itália) de hoje, após a Corte Suprema rejeitar o regime de tarifas direcionadas por país adotado anteriormente. A Casa Branca justificou a medida, inicialmente fixada em 10%, pela necessidade de enfrentar os “grandes e graves déficits da balança de pagamentos dos EUA”, segundo ordem presidencial divulgada na sexta-feira.
O presidente Trump já sinalizou a intenção de elevar essas tarifas a 15% num segundo momento, mantendo, porém, exceções para bens sob investigações setoriais específicas e para mercadorias cobertas pelo acordo comercial entre EUA, México e Canadá (USMCA), preservando assim interlocuções técnicas com parceiros estratégicos.
Na esteira da decisão judicial, o gigante de logística FedEx entrou com ação contra a administração federal buscando o reembolso integral dos valores pagos sob os mecanismos de cobrança agora considerados ilegais. A petição foi apresentada contra a Customs and Border Protection na Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos, e solicita a devolução completa das tarifas recolhidas sobre mercadorias importadas.
Trata-se, muito possivelmente, da primeira grande contestação corporativa movida após a sentença da Corte Suprema. O tribunal, no entanto, não se debruçou sobre os procedimentos práticos para a devolução dos valores, e um magistrado admitiu que a operacionalização dos reembolsos poderá ser “um verdadeiro nó” administrativo e jurídico.
Antes mesmo do acórdão final da Corte, já tramitavam diversas ações judiciais. Os tributos arrecadados pelas políticas anteriores resultaram em mais de US$ 130 bilhões pagos por importadores, somando-se aos cofres federais. Depois do revés judicial sobre as tarifas específicas por país na semana passada, a Casa Branca recorreu a uma base legal distinta para promulgar a ordem de caráter geral que estabelece a alíquota de 10% com vigência imediata.
Do ponto de vista macroeconômico e de estratégia empresarial, o episódio revela a tensão entre o impulso protecionista — que atua como um freio fiscal seletivo — e a necessidade de previsibilidade para cadeias logísticas globais. Como estrategista, enxergo o movimento como uma recalibração do motor da economia americana: busca-se desacelerar déficits estruturais sem paralisar a exportação e as redes de fornecimento, mas o custo de transição e a complexidade dos reembolsos poderão criar ruídos significativos para operadores e mercados.
Para empresas multinacionais e investidores, a lição é clara: a acelerada mudança de regras exige uma engenharia de risco mais fina — equivalente à calibragem de suspensão em um veículo de alta performance — para manter tração operacional sem perder estabilidade financeira.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos legais e as respostas do governo sobre a operacionalização dos reembolsos, bem como o eventual aumento para 15% anunciado por Trump, que pode alterar substancialmente o custo das importações e a competitividade setorial.






















