Por Stella Ferrari — Em declaração aos jornalistas durante a missão italiana na Líbia, o Ministro das Relações Exteriores Antonio Tajani reafirmou que a Itália se coloca como país mediador na crise envolvendo a Groenlândia. Com tom diplomático e pragmático, Tajani destacou que o país atua historicamente com bom senso e abertura ao diálogo, postura que, segundo ele, pode ser decisiva também neste caso.
“Nós usamos sempre o bom senso, falamos com todos e dizemos sempre a verdade”, afirmou Tajani, lembrando a atuação italiana em negociações anteriores sobre tarifas, quando o conflito inicial — com taxas previstas de 50% — foi amenizado até 15% após negociações. Essa experiência, explicou, é a base para a proposta italiana de mediação: “A Itália sabe dialogar com todos para desempenhar um papel positivo na busca por acordos”.
O Ministro ressaltou que o primeiro-ministro mantém canais de diálogo com os Estados Unidos e com parceiros europeus, e que a iniciativa italiana é compatível com essa linha diplomática. Para Tajani, a questão envolvendo a Groenlândia não é apenas um atrito entre Europa e EUA, mas um nó mais amplo — marcado pela competição entre o Ocidente e grandes autocracias que disputam espaço no comércio internacional e na indústria estratégica.
Em linguagem que privilegia a ação calibrada em vez de confrontos, Tajani advertiu: “Não há necessidade nem de guerras comerciais, nem de confrontos ou brigas de braço. É preciso diálogo e encontrar soluções que não penalizem ninguém”. Para ele, o relacionamento com os Estados Unidos deve seguir o padrão de aliados, o que “não significa fraqueza, mas a capacidade de defender nossos interesses com espírito construtivo”.
O legado prático dessa postura, segundo o ministro, encontra-se na eficácia do confronto diplomático ponderado: “Nos casos recentes sobre tarifas, a Itália demonstrou que com confronto se obtêm resultados”. Essa afirmação traduz a visão italiana de que a política externa deve funcionar como um motor de estabilização — uma calibragem fina entre firmeza e conciliação, sem recorrer aos freios bruscos das retaliações económicas.
Como estrategista de políticas e observadora de mercados, vejo essa postura italiana como um design de política externa orientado para performance: posicionar-se como mediador é uma decisão de alto rendimento diplomático, que preserva canais de comércio e evita choques que poderiam desacelerar cadeias produtivas e aumentar incertezas globais. A Itália, ao propor-se como ponte entre as partes, aposta na diplomacia como instrumento para manter a fluidez dos fluxos comerciais e industriais num momento em que a geopolítica funciona como variável crítica para investimentos.
Na prática, a mensagem é clara: preferimos a calibragem ao revide. O convite ao diálogo — feito com autoridade e realismo — procura transformar tensão em oportunidade de acordo, preservando interesses nacionais e europeus sem abrir mão da firmeza necessária para negociar em pé de igualdade com grandes potências.






















