Por Stella Ferrari – Em um movimento que redesenha o painel de consumo doméstico como se estivéssemos recalibrando o motor da economia alimentar, a nova pesquisa “Snacking Revolution” da YouGov confirma: o snack deixou de ser exceção para virar regra. Hoje, 8 em cada 10 italianos integram o spuntino à rotina como um verdadeiro quarto pasto, consumido em diferentes contextos ao longo do dia — trabalho, estudo e deslocamentos.
O estudo, que combina dados do Shopper Panel YouGov (monitorando compras de mais de 17.000 famílias e 30.000 indivíduos) com uma survey CAWI, mostra que o snack já faz parte da cesta de compras do país: presente em 45% dos carrinhos. Entre 2024 e 2025 observa-se uma acelerada calibragem nos indicadores-chave: número de famílias compradoras subiu para 26,5 milhões (vs. 26 milhões em 2024), a frequência de compra aumentou para 78,0 (vs. 75,1) e a despesa média anual passou para €426 (vs. €408).
Os padrões de refeição também mudaram. A preferência por refeições mais leves cresce: apenas 21% dos italianos faz habitual uma manhã com café da manhã “substancioso”. No almoço e na janta, domina o prato único (64% e 68% respectivamente), evidenciando uma redefinição dos limites entre refeição e fora-refeição — fenômeno que o relatório denomina de snackification.
Quanto aos horários, 55% consomem o snack no período da tarde, com pico entre os 18-34 anos (66%) e maior incidência no noroeste da Itália (61%). Em termos de escolhas, a fruta fresca é protagonista nos intervalos da manhã e tarde (51% e 53%), seguida pela fruta seca (42% e 41%). Após o jantar, prevalece a procura por uma “coccola” doce (64%).
No segmento de laticínios e alternativas funcionais, o yogurt brilha em todas as suas variantes (grego, integral, light) e divide espaço com kefir e skyr. Produtos rotulados como High-Protein apresentam penetração quase total: 93,5% em 2025 (vs. 93,0% em 2024) e frequência de compra crescente (25,8 em 2025 vs. 23,9 em 2024). Paralelamente, cresce a oferta e a procura por linhas “sem” — sem lactose, sem açúcar, sem glúten — com índice de penetração de 87,2% em 2025 (vs. 85,2% em 2024) e gasto médio de €64,62 (vs. €58,75 em 2024).
As alternativas plant-based seguem em expansão, refletindo a demanda por conveniência aliada a atributos de saúde e sustentabilidade, mesmo quando o consumidor busca textura e saciedade comparáveis a produtos tradicionais.
Do ponto de vista estratégico, a transformação do spuntino em um pilar de consumo impõe uma nova arquitetura para fabricantes, varejistas e formuladores de políticas: é preciso repensar sortimento, formatos, rotas de distribuição e comunicação, enquanto se monitora o impacto desse novo padrão sobre inflação alimentar e comportamento de gasto das famílias. Em termos de desenho de políticas, são necessários instrumentos que entendam a aceleração de tendências sem perder a sensibilidade à equidade de acesso a opções nutritivas.
Concluo que a «snacking economy» está longe de ser um detalhe: é uma força motriz que exige resposta em alta performance — tanto do setor privado quanto do público — para transformar essa demanda em valor sustentável, sem perder o equilíbrio entre conveniência e qualidade nutricional.





















