A montanha administrativa da Itália passa por uma recalibração significativa. A nova bozza do decreto attuativo redesenha os contornos dos municípios de montanha, reduzindo o total reconhecido para 3.715 entidades — uma queda de 347 em relação aos atuais 4.062 classificados sob a lei 991/1952. Essa revisão técnica tem impacto direto sobre demografia, financiamento público e prioridades de política territorial.
Atualmente, cerca de 20% da população italiana vive em áreas montanhesas. Com a nova mapeação, o número de residentes abrangidos sobe a 12,02 milhões, equivalente a 20,4% da população nacional. Mais que uma atualização cartográfica, trata-se de uma redefinição do design de políticas: da fiscalidade de vantagem aos fundos estruturais, passando pelos trasferimenti perequativi. Em termos práticos, significa que o motor da alocação de recursos fará uma marcha diferente.
A superfície incluída na nova definição soma 151.852 km² — em um país com um total de 187.122 km² — evidenciando uma concentração de área e habitantes onde as características morfológicas justificam intervenções específicas. Os critérios técnicos adotados tornam o reconhecimento mais seletivo: para ser considerado montano, um município deve cumprir pelo menos um parâmetro, como altitude média superior a 600 metros ou relevância da pendenza do terreno. O efeito é uma delimitação mais rigorosa, com foco em áreas que de fato exigem políticas e investimentos diferenciados.
Na comparação entre a classificação antiga e a nova há uma redistribuição interna marcada. Dos 4.062 municípios previamente incluídos, 3.417 eram considerados totalmente montanos e 645 parcialmente montanos. Com o novo quadro, o número é agora 3.715, e a população considerada integralmente dentro da área redefinida cai de 19,64 milhões para 12,02 milhões. Essa compressão de perímetros administrativos implica uma nova calibragem dos fluxos financeiros e das prioridades territoriais.
Um dado demográfico relevante: entre 2019 e hoje os municípios de montanha registraram um saldo positivo de 218 mil novos residentes. É uma desaceleração do movimento histórico de spopolamento e invecchiamento, associada a fatores como o trabalho remoto, custo de vida relativamente inferior nas áreas rurais e maior demanda por qualidade ambiental. Contudo, essa recuperação é frágil e desigual: os territórios alpinos e apenínicos exibem tendências divergentes e exigem estratégias de intervenção diferenciadas.
Os indicadores socioeconômicos confirmam a complexidade do quadro. A taxa média de veículos de baixas emissões nos municípios montanos é de 23,9%, superior à média nacional de 21,5%, sinalizando um perfil de consumo e de qualidade ambiental distinto. As áreas naturais protegidas cobrem 24,4% da superfície municipal montana, contra 16,4% do total nacional — esse capital ambiental é valioso, mas traz também restrições de gestão e exige investimentos específicos em infraestrutura verde e manutenção.
Outro ponto crítico é a exposição a riscos geológicos: a pericolosità por frane em níveis elevado ou molto elevato atinge 13,5% do território montano, quase o triplo dos municípios não classificados como montani. Isso reforça a necessidade de priorizar mitigação de riscos, obras civis e políticas de resiliência territorial no portfólio de investimentos.
Na prática, a nova mappa traduzirá em redistribuição de incentivi fiscali, accesso a fondi strutturali e trasferimenti perequativi, concentrando recursos públicos onde os critérios de montanidade foram confirmados. Para gestores públicos e investidores, é hora de ajustar a estratégia: a calibragem de juros das intervenções, a seleção de projetos e a engenharia financeira deverão responder a um mapa que mudou o traçado das prioridades.
Em suma, trata-se de uma operação de reengenharia territorial que redesenha o circuito de apoio ao interior. Como em um motor onde cada componente precisa estar em sintonia, a eficácia das políticas dependerá da capacidade de integrar medidas de atração demográfica, infraestrutura, proteção ambiental e redução de riscos — uma verdadeira engenharia de ponta aplicada ao desenvolvimento regional.






















