Os mercados europeus fecharam em alta, com um marco relevante para o indicador paneuropeu: o Eurostoxx 600 estabeleceu um novo recorde, avançando +0,58%. Em Milão, o FTSE MIB subiu +0,90%, alcançando os 47.000 pontos e retornando aos patamares não vistos desde novembro de 2000. Este movimento confirma que o motor da economia europeia continua a oferecer aceleração para setores cíclicos.
O dia foi liderado por ganhos nos setores bancário e de matérias-primas, refletindo uma rotação de portfólios em direção a ativos sensíveis ao crescimento. Em Milão, os maiores avanços foram registrados por Nexi e Mediobanca, ambos em torno de 4%. Essas altas enfatizam a hipótese de retorno de risco aos nomes financeiros italianos, cuja performance funciona como um indicador de confiança na sustentabilidade do ciclo econômico.
Por outro lado, os recuos mais significativos foram observados em Leonardo (-3,55%) e Campari (-5,47%). No caso da Leonardo, os resultados trimestrais vieram em linha com as expectativas e superaram os objetivos da guidance, mas a queda parece associada à incerteza em torno dos detalhes do novo Plano Industrial, que será apresentado no dia 12 de março, em Roma. Já a Campari sofreu repercussão negativa após os números da Diageo, o maior produtor global de bebidas alcoólicas, que decepcionaram o mercado — um sinal de que os freios sobre o consumo premium ainda podem surpreender os investidores.
O sentimento positivo se espalhou também para os Estados Unidos. Na abertura das negociações, Wall Street operou em campo positivo: o S&P500 subiu +0,56% e o Nasdaq avançou +0,98%. Há elevada atenção do mercado para os resultados trimestrais da Nvidia, esperados para o final do dia — números que podem ajustar significativamente a calibragem de expectativas em tecnologia e semicondutores.
Do ponto de vista estratégico, vejo esse movimento como uma recalibração de risco: investidores reaplicam capital em setores com maior sensibilidade ao ciclo, enquanto nomes ligados a narrativas específicas — como o militar-industrial ou consumo premium — sofrem com incertezas sobre planos e resultados globais. É uma dinâmica de ‘engenharia financeira’ onde a pressão por retorno convive com avaliações finas de governança e visibilidade operacional.
Em conclusão, o novo recorde do Eurostoxx 600 e o retorno do FTSE MIB aos níveis de 2000 traduzem confiança conjuntural, mas exigem leitura cuidadosa. Para gestores e investidores, a recomendação é manter disciplina de risco e atenção às próximas rodadas de resultados e anúncios de estratégias corporativas — elementos que podem funcionar como acelerador ou freio para a próxima fase do mercado.
Stella Ferrari
Economista sênior, Espresso Italia






















