Por Stella Ferrari — A cooperativa de Reggio Emilia Realco, controladora das redes sob as placas Sigma, Ok Sigma, Economy e Ecu, prepara a apresentação de um pedido de concordato preventivo ao Tribunal de Bolonha. A decisão decorre do não aceite, no final de 2025, do plano de reestruturação proposto em novembro passado, considerado inadequado por Bruno Bartoli, perito indicado pela Camera di Commercio para avaliar a proposta.
A empresa afirma que a prioridade será preservar a continuidade operacional e proteger a cadeia de valor local. A rede que a Realco administra inclui cerca de 120 supermercados com as insígnias Sigma, Ok Sigma e Economy e aproximadamente 50 discount sob a bandeira Ecu. O grupo emprega direta e indiretamente cerca de 1.600 colaboradores, cujo emprego está no centro das negociações.
No exercício de 2024, o balanço mostrou uma redução de receitas de €340 milhões para €314 milhões, com um prejuízo líquido de €15,7 milhões (contra resultado equilibrado em 2023). A exposição de passivos atinge aproximadamente €60 milhões, dos quais €20 milhões são dívidas bancárias. A escassez de liquidez, que se arrasta para 2025, agravou a necessidade de uma solução robusta.
Estratégia: integração com um grande player da GDO. A direção da Realco trabalha na formulação de um plano que passe pela agregação com um grupo relevante do setor, capaz de integrar operacionalmente as lojas e preservar a capilaridade regional. Fontes próximas ao dossiê indicam que há interesse reservado de vários atores do mercado. Entre os potenciais parceiros surgem nomes com diferente racional estratégico:
- Conad Centro Nord — histórico em aquisições de cooperativas locais, com capacidade para manter a marca e redesenhar a governança;
- Selex — com bandeiras como Famila, A&O, Il Gigante e Sì, interessada em reforçar presença na Emilia-Romagna;
- VéGé — possível alternativa cooperativa para integração;
- Grandes discount como Lidl e Eurospin — que poderiam apostar na marca Ecu ou em pontos de venda estratégicos.
A meta declarada é assegurar a continuidade do negócio e encontrar um parceiro capaz de realizar sinergias operacionais e financeiras, reforçando a liderança regional num mercado fragmentado. Em linguagem de mercado, a manobra visa calibrar o “motor da economia” da rede, aliviar os “freios” da liquidez e permitir uma aceleração sustentável das operações sob um novo desenho estratégico.
Do ponto de vista financeiro e competitivo, a operação exigirá uma due diligence rápida e cuidadosa, negociação com credores e fornecedores, e um plano de integração que minimize riscos de ruptura para clientes e empregados. O desfecho poderá redesenhar o mapa da distribuição alimentar na região de Emilia-Romagna, com implicações para concorrência e fornecimento local.
Seguirei acompanhando o processo com foco na arquitetura das soluções propostas e nos impactos macro e regionais — como quem calibra uma transmissão: cada engrenagem conta para a performance final.






















