Qube Holdings: OPA de A$11,7 bi liderada por Macquarie Asset Management eleva cotações
Por Stella Ferrari — Em um movimento que reconfigura o motor da economia logística australiana, Qube Holdings, principal operador de infraestrutura logística do país, registrou um avanço de 4,1% nas cotações, alcançando o pico histórico de A$5,05 por ação. O impulso veio com o anúncio de uma OPA de A$11,7 bilhões (aprox. US$8,26 bilhões) apresentada por um consórcio liderado por Macquarie Asset Management, que ofertou A$5,20 por ação.
O consórcio inclui também a presença relevante de Pontegadea, o veículo de investimento do fundador da Zara, Amancio Ortega. A proposta final chega após meses de negociações que se iniciaram em novembro, com uma avaliação preliminar do enterprise value em A$11,6 bilhões.
O board de Qube Holdings já emitiu recomendação favorável e convocou os acionistas para deliberarem na próxima assembleia. Do ponto de vista regulatório, o fechamento da operação depende agora da aprovação das autoridades de concorrência e dos organismos responsáveis pelo controle de investimentos estrangeiros.
Estruturalmente, o grupo controla portos, terminais intermodais e outras infraestruturas distribuídas pela Austrália, Nova Zelândia e Sudeste Asiático — ativos essenciais para a cadeia de suprimentos regional. Após um 2025 mais morno para o setor de infraestrutura, esta aquisição surge como um catalisador: sinaliza uma aceleração de tendências no M&A australiano, com o foco migrando das tradicionais commodities minerais para players de logística e tecnologia.
No início de 2026, o sentimento nos mercados financeiros tem sido positivo, com volumes transacionados subindo cerca de 18% em base anual. Esse dinamismo decorre parcialmente do recuo de grandes operações nos setores extrativos e energéticos, que liberou espaço para estratégias de consolidação em infraestrutura. Paralelamente, investidores demonstram interesse crescente em infraestrutura digital ligada à inteligência artificial, especialmente em investimentos bilionários em data centers, que atuam como a nova coluna vertebral da economia digital.
Como estrategista com visão de alta performance, vejo a operação como uma calibragem de portfólios em escala: trata-se de reposicionar ativos-chave — portos e terminais — como pontos de alavancagem para cadeias logísticas e hubs digitais. A governança do negócio e o cronograma regulatório são os freios que podem analisar a velocidade desta aquisição; a providência agora é acompanhar as aprovações com a mesma precisão de um engenheiro que monitora a pressão num motor em plena aceleração.
Seguirei acompanhando os desdobramentos regulatórios e as movimentações de mercado, pois este acordo pode redesenhar o mapa de investimentos em infraestrutura da região nos próximos anos.





















