Prysmian avança na estratégia de consolidação do seu posicionamento no segmento de cabos submarinos com a aquisição da espanhola ACSM por €169 milhões. A transação fortalece a capacidade operacional do grupo, incorporando 350 especialistas, uma frota de 3 navios e mais de 20 anos de experiência em serviços offshore.
A operação inclui um pagamento de €24 milhões vinculados a um CAPEX: uma embarcação que será entregue à ACSM no quarto trimestre de 2025. O preço final poderá ser ajustado com base em parâmetros usuais de fechamento, como posição financeira líquida, capital de giro e investimentos realizados. O acordo foi estipulado com múltiplo de 6,6 vezes o EBITDA 2024 da empresa espanhola e será financiado com a disponibilidade de caixa do grupo. O closing está previsto para fevereiro.
Em 2024, a ACSM reportou receitas de €62 milhões e um EBITDA de €22 milhões, com um endividamento financeiro líquido de €14,4 milhões. Com operações em mais de 60 países, a empresa é reconhecida pelo portfólio que inclui surveying sottomarino, planeamento de rotas e preparação do leito marinho, e pela execução de centenas de intervenções submarinas.
Segundo Raul Gil, vice‑presidente executivo da unidade de Transmission da Prysmian, a aquisição é um passo decisivo para reforçar a liderança global do grupo no mercado de cabos submarinos. A integração trará para dentro do ecossistema Prysmian know‑how especializado, ativos navais e capacidades logísticas que permitem oferecer ao cliente um serviço integrado — um verdadeiro “one‑stop shop” para as necessidades de energia e telecomunicações no domínio offshore.
Do ponto de vista estratégico, a incorporação da ACSM traduz‑se em ganhos de eficiência operacional: otimização dos processos de instalação e interro de cabos, redução de custos, aceleração dos prazos e aumento da segurança das operações. Em termos de infraestrutura crítica — que protege fluxo de eletricidade e dados sob o nível do mar —, a movimentação reforça a resiliência do portfólio do grupo num momento de crescente demanda por conexões transoceânicas e projetos de energia renovável.
Como estrategista, vejo esta aquisição como uma refinada calibragem no motor da economia de infraestrutura: Prysmian adiciona torque técnico e capacidade de execução, posicionando‑se para captar projetos de maior escala e complexidade. A operação mostra ainda a importância da integração vertical e da gestão de ativos navais para acelerar entregas sem perder o foco em segurança e rentabilidade.
O negócio também evidencia o uso tático de liquidez para financiar crescimento estratégico, uma manobra comum em tempos de normalização de mercados de capitais. O fechamento, esperado para fevereiro, será o momento para observar a integração operacional e a sinergia entre as equipes técnicas de ambas as empresas.
Stella Ferrari — Economista sênior, voz de economia e desenvolvimento da Espresso Italia.





















