Por Stella Ferrari — Em uma demonstração de performance e precisão estratégica, o grupo Poste Italiane encerrou o exercício de 2025 com resultados que reforçam seu papel como motor de crescimento no setor de serviços integrados. As receitas atingiram €13,1 bilhões, um avanço de +4% ano a ano, enquanto o EBIT Adjusted chegou a €3,2 bilhões, crescendo +10%. O lucro líquido reportado foi de €2,2 bilhões, também com variação positiva de +10%, em linha com a guidance atualizada e antecipando metas do plano 2024-2028.
Do ponto de vista operacional, o segmento de Pacchi e Logistics consolidou liderança com 349 milhões de itens entregues. Nos Serviços Financeiros, a receita alcançou €5,7 bilhões (+3%), enquanto os Servizi Assicurativi evidenciaram robustez no segmento Protezione, com prêmios brutos de €1,2 bilhão (+21%). A plataforma Postepay continua acelerando: o transato e as transações registraram crescimento, e a oferta de Energia superou a marca de 1 milhão de clientes.
Do ponto de vista digital, a App “P” permanece como a principal aplicação italiana no seu ecossistema, com mais de 4 milhões de usuários ativos diários e cerca de 16 milhões de usuários no total. A companhia destaca ainda a Inteligência Artificial como importante alavanca para geração de receitas adicionais e ganhos de eficiência operacional — uma calibragem tecnológica que visa otimizar rotas, scoring de risco e personalização de ofertas.
Em matéria de governança e retorno ao acionista, o Conselho propôs um dividendo de €1,25 por ação (+16%), com distribuição total prevista de €1,6 bilhão e um payout ratio de 73%. O saldo de €0,85 por ação está programado para pagamento em junho de 2026. A companhia também se tornou o maior acionista estratégico de longo prazo da TIM, detendo 27,3% do capital ordinário, e já sinaliza iniciativas para gerar sinergias industriais entre redes, ofertas de telco e canais financeiros.
No plano estratégico, o grupo confirmou para 2026 uma guidance com EBIT Adjusted superior a €3,3 bilhões e lucro líquido de €2,3 bilhões (excluída a participação em TIM). A política de dividendos foi reforçada, com payout previsto acima de 70% e mecanismo de pass-through sobre o dividendo TIM. Operacionalmente, os targets incluem crescimento de 8% nas transações Postepay (acima de 3,6 bilhões de transações, com transato de €102 bilhões), uma base de clientes Telco projetada em 5,2 milhões (+5%) e 1,4 milhão de contratos de Energia (+40%), impulsionados pelas sinergias com a TIM.
Para sustentar essa trajetória, foi iniciada a criação de um novo Polo Financeiro, que integra pagamentos e serviços financeiros, além da continuidade do rollout do modelo comercial Hub & Spoke. Um novo plano plurianual será apresentado até o final de 2026, alinhando capital allocation, governança e road map de tecnologia. Em suma, Poste Italiane mostra uma aceleração controlada: ganhos de escala no core de logística, expansão nos serviços financeiros e uma estratégia industrial que visa transformar ativos tradicionais em plataformas digitais e recorrentes.
Como economista, vejo essa combinação de estabilidade financeira e investimentos em plataformas digitais como a calibragem correta entre potência e tração: a empresa não apenas demonstra performance nos indicadores contábeis, mas desenha o desenho de políticas e operações que mantêm o motor da economia em rotação eficiente — sem abrir mão do retorno ao acionista.





















