Por Stella Ferrari — As praças europeias aceleraram em alta nesta sessão após dados encorajantes sobre a atividade industrial: o índice PMI manufatureiro da Zona do Euro atingiu o nível mais alto em seis meses, alimentando um movimento de compra que se espalhou pelos setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Na abertura, a Borsa di Milano foi a líder, avançando quase um ponto percentual, seguida por Londres e Paris, enquanto Frankfurt mostrou-se mais cautelosa — uma leitura consistente com investidores reavaliando a velocidade da aceleração econômica e a calibragem de juros pelos bancos centrais.
No mercado de ações italiano, destacaram-se movimentos significativos: Moncler brilhou, subindo mais de 11% após divulgar resultados de 2025 com receitas e lucro líquido muito positivos; já Unipol avançou mais de 6% depois de publicar números acima das expectativas dos analistas. Em contraste, Tenaris recuou acima de 3% após a redução do preço-alvo pelo banco Goldman Sachs.
O quadro macro e geopolítico, no entanto, permanece um fator de risco relevante para a composição do rali. O endurecimento das tensões entre EUA e Irã continua no centro das atenções: conforme comunicado ontem do presidente Trump, uma decisão sobre um possível intervencionismo militar em Teerã deverá ser tomada nos próximos dez dias — notícia que impõe volatilidade aos mercados de commodities e ativos de risco.
Na frente das matérias-primas, o Brent voltou a ultrapassar a barreira dos 70 dólares por barril, acumulando um ganho superior a 5% na semana — reflexo direto da percepção de maior risco geopolítico e de possíveis interrupções de oferta. Paralelamente, o preço do ouro, ativo-refúgio por excelência, voltou a subir, reportando-se acima dos 5.000 dólares por onça, em um movimento típico de busca por proteção diante de incertezas internacionais.
Do ponto de vista estratégico, a leitura do dia confirma que o motor da economia europeia está apresentando sinais de torque maior do que o esperado, mas com fricções: ganhos pontuais em bolsas e em empresas sensíveis ao consumo e à indústria convivem com sinais de risco externo e ajustes de avaliação por parte de grandes bancos. Para gestores e diretores financeiros, a prioridade é calibrar exposição: aproveitar a aceleração sem descuidar do gerenciamento de risco — como quem ajusta a suspensão de um carro de alto desempenho para extrair velocidade sem comprometer a estabilidade.
Em suma, o cenário reúne elementos de alta performance e de vigilância. A retomada do PMI é um acendedor de confiança, porém a trajetória dos preços do petróleo e do ouro, bem como as tensões geopolíticas, funcionam como freios que podem modular a continuidade do movimento.
Para investidores institucionais e privados com apetite por valor, a recomendação é manter disciplina: identificar oportunidades em nomes que reportaram resultados sólidos, como Moncler e Unipol, enquanto se monitoram sinais técnicos e fundamentalistas em empresas expostas a revisões de preço-alvo, como Tenaris.






















