Marco Tronchetti Provera prorrogou o acordo de lock-up sobre os pacotes de minorias detidos em parceria com a família Niu, garantindo a manutenção de cerca de 10,6% do capital da Pirelli sem necessidade de novos aportes financeiros. A extensão, que amplia a vigência do compromisso até 2028, oferece uma camada de estabilidade relevante para a governança da companhia.
As cláusulas de bloqueio que envolvem os acionistas minoritários de Camfin Alternative Assets e Longmarch Holding foram formalmente renovadas por mais dois anos. A estrutura societária permanece organizada em dois veículos principais, com a holding Mtp spa — controlada pela família Tronchetti Provera — mantendo a maioria absoluta.
No detalhe do arranjo, Longmarch Holding é composta por 51% de Mtp spa e 49% pela Longmarch Hongkong Holding da família Niu. Por sua vez, a Longmarch Holding detém 49% de Camfin Alternative Assets, enquanto 51% permanece com a Camfin. A prorrogação do lock-up congela, portanto, as participações atuais e preserva os direitos de preferência em favor dos sócios majoritários (Mtp e Camfin), consolidando o controle acionário.
Essa decisão ocorre em um momento estratégico, enquanto prosseguem as negociações e o diálogo com a chinesa Sinochem. Após a conversão de títulos ocorrida em meados de dezembro, a composição acionária refletia a presença de Camfin Alternative Assets com 7,26% e de Longmarch Holding com 3,39%. Somando-se aos 14,62% em mãos da Camfin, o bloco sob influência de Tronchetti Provera alcança 25,27% do capital social da Pirelli. Ao preço de mercado atual, o pacote conjunto associado aos parceiros chineses tem um valor aproximado de €740 milhões.
Além do setor de pneumáticos, a aliança entre Tronchetti e a família Niu está progressivamente diversificando investimentos. Recentemente, o veículo Camfin Alternative Assets ingressou no capital da Quantico Investment Club Opportunities, adquirindo cerca de 1,96% do capital. A plataforma — especializada em club deals — surgiu a partir de uma parceria com o UniCredit e os fundadores Antonio Da Ros e Paolo Langè. Com essa movimentação, a coalizão Tronchetti–Niu soma-se a famílias industriais italianas como Monge, Seragnoli e Bolfo, reforçando uma estratégia de diversificação coordenada com grandes players nacionais.
Na metáfora do mercado, trata-se de calibrar o motor da economia corporativa: a prorrogação do lock-up atua como uma peça de precisão, reduzindo a volatilidade de controle e preservando a capacidade de tomada de decisão estratégica sem recorrer a novos freios financeiros. Para investidores e conselhos, a manobra transmite sinais claros de governança estável — um requisito de alta performance em ambientes competitivos.





















