Por Stella Ferrari — A sessão europeia fechou em tom de cautela: Piazza Affari terminou o pregão com queda de 0,45%, reflexo direto dos números de inflação nos Estados Unidos e do avanço dos preços do petróleo, que recalibraram expectativas e afetaram setores específicos do mercado.
O dado mais relevante do dia veio dos EUA: a inflação americana em dezembro permaneceu estável em 2,7%, em linha com as expectativas do mercado. Já a inflação de fundo (core) surpreendeu levemente para baixo, caindo para 2,6%, uma décima abaixo do previsto. Esses indicadores mantiveram a tonificação dos mercados acionários em modo de expectativa, como um motor que reduz a rotação antes de decidir pela aceleração.
A reação em Wall Street foi contida: o índice S&P 500 recuou 0,19%, o Nasdaq caiu 0,13% e o Dow Jones perdeu meio ponto percentual. As projeções derivativas continuam a apontar para junho como a janela mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed, mantendo a estratégia de investidores em modo de vigilância.
Em meio a isso, Jerome Powell recebeu um gesto de apoio institucional: após a investigação do Departamento de Justiça, todos os seus predecessores vivos se posicionaram a seu favor, e hoje uma carta de “plena solidariedade” foi assinada por 12 banqueiros centrais, entre eles a presidente do BCE, Christine Lagarde, e os governadores do Reino Unido, Suíça e Canadá — um sinal de coesão no design das políticas monetárias globais.
As bolsas europeias seguiram a mesma trilha de fraqueza. Em Milão, o recuo de 0,45% contrastou com Frankfurt, que permaneceu ligeiramente acima da paridade. Setores cíclicos sofreram mais: no segmento de construção, Buzzi caiu 7,16%, enquanto a Fincantieri recuou 4,50% após uma forte alta acumulada de mais de 16% desde o início do ano.
No extremo oposto, o setor de energia foi impulsionado pela alta do petróleo. Saipem avançou 4,39%, apoiada pelo movimento dos preços do crude. Entre as grandes, Tenaris subiu 2,82% e Eni ganhou 2,15%.
Os futuros do petróleo fecharam em forte alta: o WTI norte-americano subiu 3,42%, para US$ 61,5 por barril, enquanto o Brent avançou 3%, alcançando US$ 65,85 — níveis não vistos desde outubro — sustentados por temores de escalada geopolítica no Irã. Essa elevação funciona como um turbo negativo para ativos mais sensíveis a custo de insumos.
No mercado de metais preciosos, o ouro — em nível recorde — permaneceu estável, pouco abaixo de US$ 4.600 a onça, enquanto a prata seguiu em forte alta, com valorização de 3,5%, chegando a US$ 88 por onça.
Em suma, a sessão foi marcada por calibragens: a combinação entre dados americanos alinhados às expectativas e a elevação do preço do petróleo levou a uma leitura de risco moderado pelos gestores. O mercado ajusta marcha e direção, em busca de sinais claros para a próxima manobra da Fed e para o caminho dos ativos de energia.
Stella Ferrari — La Via Italia. Análise e interpretação com foco em alta performance e visão de mercado global.






















