Por Stella Ferrari — A sessão europeia mostra sinais de apatia, com movimentos contidos em Londres (+0,01%), Frankfurt (-0,07%) e Paris (-0,45%). Também os futuros que antecipam a abertura de Wall Street permanecem estáveis, enquanto os agentes do mercado aguardam a divulgação do índice de inflação nos EUA de janeiro, marcada para as 14h30 (CET). As projeções apontam para uma desaceleração do ritmo, de 2,7% para 2,5%, dado que será decisivo para a calibragem das próximas decisões do Federal Reserve.
No entanto, exclui-se Milão: a Piazza Affari apresenta queda acentuada, com o FTSE MIB recuando -1,47%, arrastando o saldo semanal para o terreno negativo. O movimento evidencia a sensibilidade do índice a stresses setoriais e lembra que, em mercados de alta performance, um único setor pode atuar como freio do motor da carteira.
O setor financeiro foi o principal responsável pela perda de terreno. Entre os bancos, destacam-se as quedas de Bper (-4,16%), Banca Popolare di Sondrio (-4,10%), Unicredit e Banco BPM (-2% cada). Essas variações refletem aversão ao risco e reprecificação de expectativas sobre lucros futuros, num contexto em que a rentabilidade do segmento está sendo analisada à luz de choques tecnológicos e mudança de dinâmica de mercado.
Mais contundente foi o desempenho de Prysmian, que caiu -8,64%. Segundo análises de mercado, a forte reação estaria associada a uma reportagem do Financial Times sobre a intenção da Casa Branca de reduzir os direitos aduaneiros sobre aço e alumínio. Em princípio, trata-se de uma notícia positiva para a cadeia global; contudo, para uma empresa verticalmente integrada nos Estados Unidos como a Prysmian, a redução de barreiras pode favorecer concorrentes locais e pressionar margens—um exemplo claro de como mudanças regulatórias podem alterar a relação de forças dentro de uma indústria.
Nos Estados Unidos, Wall Street fechou em terreno negativo na véspera: S&P 500 -1,57% e Nasdaq -2%, com o índice de tecnologia acumulando queda próxima de 3% no ano. A semana foi dominada por preocupações sobre o impacto de novas ferramentas de inteligência artificial em lucros e margens, primeiro nos softwares, depois nas empresas de análise de dados, gestores de ativos e logística. Trata-se de uma transformação estrutural que afeta o design de políticas corporativas e a reavaliação do potencial de geração de caixa.
Na Ásia, os principais mercados registraram recuos superiores a 1%, de Tóquio a Hong Kong. Seul resistiu melhor, com baixa moderada (-0,28%) e valorização de cerca de 30% no ano, impulsionada pelo setor tecnológico. Em linhas gerais, produtores asiáticos de semicondutores e componentes parecem estar em vantagem relativa neste momento, revelando uma assimetria de performance que vale a pena monitorar.
Conclusão: estamos diante de uma sessão onde a velocidade do mercado diminui, mas a direção está sendo redefinida por três vetores — dados macro (inflação dos EUA), políticas comerciais (possíveis cortes nas tarifas) e impacto tecnológico (IA). Em termos de gestão, é hora de ajustar a transmissão entre estratégia e execução: como um motor de alta performance, o portfólio exige calibragem fina para responder a acelerações e freios repentinos.






















