Por Stella Ferrari — Em uma sessão marcada por otimismo nos mercados e uma cuidadosa leitura dos riscos geopolíticos, as bolsas europeias fecharam em terreno positivo, com destaque para Milão e Londres, ambas avançando cerca de 1,30%. O movimento em Londres foi apoiado por um dado de inflação abaixo do esperado, que recuou de 3,4% para 3,0%, aliviando pressões sobre a política monetária e calibrando expectativas dos investidores.
Em Piazza Affari, o melhor papel do dia foi Mediobanca, com alta próxima de 7%. A valorização vem no rastro da decisão do conselho de administração do Monte dei Paschi di Siena (MPS), que aprovou a integração total com a Mediobanca via fusão por incorporação — operação que deverá resultar no delisting do banco milanês. Trata-se de uma manobra de reconfiguração do setor financeiro italiano que exige leitura fina sobre sinergias, governança e alocação de capital.
Setores específicos também se destacaram: Leonardo registrou alta próxima de 5%, enquanto STMicroelectronics avançou cerca de 3,30%. Buzzi também apresentou desempenho positivo. Do outro lado, nomes ligados ao consumo e ao luxo, como Ferrari e Campari, recuaram mais de 2%, refletindo ajustes táticos dos investidores após ganhos recentes.
No outro extremo do Atlântico, Wall Street abriu de forma cautelosamente positiva: os três principais índices subiram pouco mais de 0,20%, em um ambiente marcado por volumes moderados e atenção aos dados macro.
O fator que mobilizou a atenção global foi o preço do petróleo. Houve uma subida nítida de cerca de 3% tanto para o WTI americano, negociado em aproximadamente US$64,2 por barril, quanto para o Brent, perto de US$69,5. Esse movimento foi impulsionado por renovadas incertezas geopolíticas e pelos avanços — ainda em desenvolvimento — das conversações diplomáticas envolvendo o Irã. Para investidores, qualquer sinal de tensão ou de avanço negociado sobre o programa energético iraniano afeta de imediato o equilíbrio oferta-demanda e, por consequência, os custos de energia e as pressões inflacionárias.
Como estrategista, vejo a sessão como uma clara demonstração de dois vetores simultâneos que estão calibrando o mercado: por um lado, um “motor” de confiança impulsionado por dados de inflação mais brandos e reestruturações corporativas significativas; por outro, a aceleração das commodities energéticas que funciona como um potencial ‘freio’ para um afrouxamento imediato das políticas monetárias. Em termos práticos, gestores e conselhos precisam cuidar da calibragem de juros implícita nas carteiras e da exposição a setores sensíveis a energia e consumo discricionário.
Em suma, o dia trouxe sinais de robustez nas praças europeias, com movimentos destacados em bancos e indústrias estratégicas, ao mesmo tempo em que o avanço do Brent e do WTI exige atenção redobrada: a gasolina que aquece a recuperação pode também pressionar margens e direcionar decisões dos bancos centrais nas próximas leituras.






















