Por Stella Ferrari – 24 de fevereiro de 2026
Em comentário direto e estratégico sobre o papel das ações sindicais no atual quadro socioeconômico, Paolo Capone, líder da UGL, afirmou que a greve deve ser utilizada como instrumento de tutela dos trabalhadores e não como ferramenta de propaganda política. A posição, proferida em declarações públicas esta semana, sublinha a necessidade de priorizar negociações objetivas: rinnovi contrattuali (renovações contratuais) e a elaboração de um plano industrial consistente.
Como economista e estrategista de mercado, vejo esta mensagem como uma calibragem necessária nos mecanismos de pressão coletiva. Em tempos de incerteza, quando o “motor da economia” exige estabilidade e previsibilidade para recuperar aceleração, as greves — quando bem dirigidas — funcionam como um sistema de freios e contrapesos: protegem direitos e condicionam decisões, mas não podem ser reduzidas a espetáculos de palco político.
Capone insiste que os sindicatos devem focar na renovação de contratos e em propostas concretas para a indústria, em vez de instrumentalizar paralisações para ganhos políticos imediatos. Essa orientação é uma chamada à disciplina tática: priorizar resultados negociados que garantam salários, condições de trabalho e sustentabilidade produtiva.
Do ponto de vista prático, isso significa duas frentes bem definidas. Primeiro, acelerar e concluir rinnovi contrattuali com cláusulas que protejam o poder de compra diante da inflação e da volatilidade dos mercados. Segundo, apresentar um plano industrial que seja viável para empresas e compatível com metas de emprego de longo prazo — um desenho de políticas que alinhe incentivos, investimentos e modernização tecnológica.
Para a UGL, segundo Capone, a prioridade é evitar que a batalha por visibilidade sufoque a capacidade de alcançar acordos. É uma recomendação que dialoga diretamente com a responsabilidade dos atores sindicais em tempos em que decisões industriais repercutem em cadeias globais e em políticas macroeconômicas.
Como estrategista que acompanha tendências de alto desempenho, interpreto a fala de Paolo Capone como um convite à profissionalização das táticas sindicais: negociações guiadas por dados, propostas claras, prazo e metas, em vez de confrontos performáticos. Em outras palavras, mais engenharia de políticas e menos espetáculo.
O desafio agora é operacionalizar essa abordagem: transformar o discurso em calendário de negociações, pontos de pauta e propostas de modernização industrial que possam ser aceitas tanto por empresas quanto por trabalhadores. É com essa calibragem que se reconstrói confiança e se afina a engrenagem da economia para a próxima fase de crescimento.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista de desenvolvimento, voz da Espresso Italia.






















