Paolo Angelini, até agora Vice-Diretor Geral, foi oficialmente indicado como novo Diretor-Geral da Banca d’Italia, com efeitos a partir de 31 de março. A nomeação, proposta pelo Governador e ratificada em reunião extraordinária do Conselho Superior, prevê também que Angelini assuma a presidência da IVASS — o órgão de vigilância sobre as seguradoras italianas — substituindo Luigi Federico Signorini, que se retirará por razões pessoais.
O anúncio marca um redesenho importante na cúpula do banco central, uma recalibração da liderança que poderá influenciar a direção da supervisão financeira e da coordenação com as políticas macroprudenciais. Em linguagem de engenharia macroeconômica, trata-se de uma troca na bancada do motor da instituição, sem ruptura do ciclo operacional, mas com impacto potencial na calibragem das prioridades regulatórias.
Signorini comunicou sua decisão durante a reunião do Conselho Superior presidida pelo Governador. A Diretoria expressou agradecimento pelo trabalho desenvolvido por Signorini ao longo dos anos e desejou sucesso em seus projetos pessoais. O processo de transição foi conduzido segundo o artigo 18 do Estatuto da Banca d’Italia e dependerá da formalização institucional: a nomeação deverá ser convertida em decreto pelo Presidente da República, mediante proposta da Presidência do Conselho e em acordo com o Ministério da Economia, após parecer do Conselho de Ministros.
Dados biográficos e carreira
Natural de Siena, nascido em 1958, casado e pai de um filho, Paolo Angelini integra o Direttório da Banca d’Italia desde 2021, ocupando até agora a posição de Vice-Diretor Geral. É também membro do Direttório integrado da IVASS e atua no Comitê de Basileia desde 12 de outubro de 2021. Entre julho de 2019 e abril de 2021, liderou o Departamento de Vigilância bancária e financeira — experiência que o credencia para a presidência do órgão de supervisão das seguradoras.
Ao lado dessa ascensão, o Conselho Superior aprovou a promoção de Gian Luca Trequattrini ao cargo de Vice-Diretor Geral. Trequattrini, que vinha desempenhando funções como Funcionário Geral e Secretário do Direttório, consolida agora a estrutura executiva da banca central, preservando a continuidade operacional e a integridade do desenho institucional.
Impactos e perspectivas
Do ponto de vista institucional e de mercado, a mudança preserva estabilidade técnica e fornece sinais de previsibilidade: Angelini combina conhecimento de supervisão e experiência internacional (Comitê de Basileia), elementos que importam para a gestão do risco sistêmico e para o diálogo com autoridades europeias. Em termos práticos, espera-se que a nova direção mantenha foco na vigilância prudencial e na coordenação com as políticas fiscais e monetárias — uma calibragem delicada entre freios fiscais e estímulos necessários à resiliência financeira.
Como economista que acompanha a arquitetura das instituições financeiras, enxergo nessa nomeação uma manutenção da linha de continuidade técnica, com possibilidade de acelerar ajustes regulatórios onde as fragilidades emergentes assim o exigirem. A transição será acompanhada de perto pelo mercado e pelos players do setor segurador, onde a presidência da IVASS terá papel decisivo em supervisionar a solvência e a governança das companhias.
As nomeações tornar-se-ão operativas após o trâmite formal previsto, quando então a nova liderança assumirá integralmente suas responsabilidades e a banca central retomará sua marcha com a nova equipe executiva.



















