A OVS fecha o exercício com sinais claros de robustez operacional: o faturamento cresceu 7% e o Ebitda estimado situou‑se entre €216 milhões e €218 milhões, um avanço de 11% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o grupo anunciou a interrupção definitiva das negociações para a aquisição da Kasanova, operação que implicaria um aumento de capital de €15 milhões.
O conselho de administração da OVS decidiu deixar caducar a proposta vinculante para adquirir 100% da Kasanova no prazo de vencimento da oferta. Segundo o CEO Stefano Beraldo, “não se verificaram le condições previste a cui l’offerta era subordinata”, levando à renúncia formal do grupo à transação. A operação, inicialmente assinada em novembro, encontrou obstáculos nas verificações bancárias e no cumprimento de requisitos essenciais para o fechamento.
O plano de compra previa uma injeção de liquidez por meio de um aumento de capital de €15 milhões para sustentar o plano de reestruturação da Kasanova, que vinha por meio de uma composizione negoziata de crise, com cortes de custos e fechamento de pontos de venda não rentáveis. A ausência das condições acordadas e os atrasos nos processos de aprovação bancária foram determinantes para a decisão estratégica de abandonar a operação.
Em contraponto a essa decisão de M&A, a OVS reportou avanços significativos em seu core business no ano. A aceleração das vendas foi particularmente intensa no segundo semestre, com destaque para a integração da Goldenpoint, que, nos sete meses de consolidação, registrou um aumento de vendas de 10%. O renovado foco em moda feminina e em linhas de beleza comprovou ser um pilar sólido da estratégia comercial.
Além disso, a companhia amplia sua presença geográfica: o flagship inaugurado em Nova Deli, na Índia, em outubro passado, vem operando em níveis de venda comparáveis aos dos maiores shoppings italianos, sinalizando uma expansão internacional que sustenta a margem operacional. Essa vitalidade operacional se refletiu no resultado final do período, com o Ebitda estimado em alta.
Minha leitura, como economista e estrategista de mercados, é que a OVS está afinando o motor da sua expansão: prioriza rentabilidade e integração orgânica quando as sinergias de aquisição não estão garantidas. A decisão de deixar passar a compra da Kasanova é uma calibragem de risco — prefere‑se evitar um aumento de capital e uma operação cuja trajetória de recuperação permanece incerta. Em outras palavras, a empresa aplicou freios cirúrgicos onde seria arriscado acelerar.
O cenário futuro dependerá da capacidade do grupo de manter o ímpeto de vendas e traduzir o crescimento em conversão de margem, especialmente com a consolidação de marcas adquiridas e a expansão em mercados estratégicos. A estratégia hoje é mais engenharia de portfólio do que mero impulso de escala: ajustes finos no design de políticas comerciais e disciplina financeira para garantir que a aceleração das tendências se transforme em desempenho sustentável.






















