Por Stella Ferrari – 21 de janeiro de 2026
O balanço do quarto trimestre de 2025 coloca a Netflix novamente na dianteira do entretenimento global. A plataforma reportou receitas de US$ 12,05 bilhões, um avanço de 18% ano a ano, e um lucro líquido de US$ 2,42 bilhões, alta de 29%. O total de assinantes ultrapassou a marca de 325 milhões, sinalizando que a companhia mantém tração mesmo em um mercado competitivo e em rápida evolução.
O trimestre foi impulsionado por títulos de alto impacto, com destaque para a temporada final de Stranger Things, que não só reforçou o engajamento de público como também elevou as receitas publicitárias. Em 2025 como um todo, a Netflix fechou o ano com faturamento de US$ 45,18 bilhões e lucro acumulado de US$ 10,98 bilhões. A empresa também elevou os investimentos em conteúdo para US$ 18 bilhões, quase 8% a mais, traduzindo a estratégia clara de fortalecer seu catálogo e ampliar a presença internacional.
Para 2026, a companhia projeta receitas entre US$ 50,7 bilhões e US$ 51,7 bilhões e anunciou um aumento de 10% nos gastos com produção de filmes e séries. No portfólio estratégico entram formatos como podcasts em vídeo, experiências interativas e a ambição de duplicar as receitas de publicidade — uma calibragem que busca monetizar ainda mais a vasta base de usuários e o valor dos seus conteúdos originais.
Apesar dos números robustos, as ações recuaram quase 5% no after-market — reflexo de uma orientação para o primeiro trimestre de 2026 que ficou ligeiramente abaixo das expectativas e da incerteza em torno da proposta de aquisição da Warner Bros.
A Netflix formalizou uma oferta de US$ 72 bilhões mais dívidas para comprar os estúdios e ativos de streaming da Warner Bros. Discovery, em uma operação integralmente em caixa aprovada pelos conselhos. A disputa acionária ganhou um capítulo adicional com a oferta hostil da Paramount, de US$ 77,9 bilhões mais dívidas para o grupo Warner. Segundo os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters, a fusão dos portfólios seria complementar, elevando oportunidades tanto para criadores quanto para espectadores.
Em paralelo à estratégia de aquisição, a empresa suspendeu o programa de recompra de ações para concentrar recursos na transação e reafirmou o compromisso com execução eficiente e qualidade de conteúdo. Investidores e analistas seguem atentos: a manobra é grande, complexa e requer precisão de engenharia financeira — como ajustar o motor de uma máquina sofisticada sem perder a aceleração nas estradas competitivas do mercado do entretenimento.
ANetflix demonstra performance sólida e clareza de roteiro estratégico — mais investimento em conteúdo, diversificação de formatos e uma aposta agressiva em escala via aquisição. Resta, porém, calibrar expectativas de curto prazo e gerir os riscos de integração de ativos massivos. Como estrategista, vejo a empresa operando com o design de políticas de crescimento típico de players em modo de alta performance: aceleração controlada, foco em diferencial de produto e gestão firme de caixa.




















