Monte dei Paschi di Siena deu hoje um passo marcante na sua governança. Em assembleia extraordinária realizada em Siena e presidida pelo advogado Nicola Maione, os acionistas — com participação de 68,01% do capital social, representado via representante designado — aprovaram uma série de alterações estatutárias por esmagadoras maiorias, todas acima de 99% dos votos presentes.
As mudanças, alinhadas com a necessidade de calibrar a governança e acelerar a eficácia operacional, afetam pontos centrais do funcionamento do banco. Entre as medidas aprovadas destaca-se a possibilidade de a Assembleia Ordinária aumentar a parcela variável da remuneração dos dirigentes, superando o limite atual de 1:1 em relação à parte fixa. É uma decisão de design de políticas remuneratórias que busca maior flexibilidade na atração e retenção de talentos de alto desempenho, uma verdadeira calibragem de remuneração para o motor da gestão.
Outra inovação relevante é a permissão para que o Conselho de Administração em exercício apresente sua própria lista de candidatos no processo de renovação do órgão, uma mudança que reforça a continuidade da gestão. Esta proposta obteve aprovação de 99,92% dos votos. No mesmo patamar de consenso (99,92%) foram aprovadas as regras relativas à substituição de administradores que deixem o cargo antes do término do mandato.
De grande impacto institucional é a eliminação do limite máximo de mandatos para reeleição dos administradores, aprovada por 99,89% do capital representado. Na prática, deixa de existir um teto para o número de mandatos consecutivos, abrindo caminho para a possível recondução de executivos-chave — entre eles o atual CEO Luigi Lovaglio, que aparece rumo a um segundo mandato.
Foi também introduzida a possibilidade de o Conselho nomear internamente o Presidente e um ou dois Vice-Presidentes caso a Assembleia não o tenha feito — mais uma ferramenta para garantir estabilidade na liderança (aprovada com 99,92%). No âmbito do controle interno, chegaram novas regras para cenários em que seja apresentada apenas uma lista para a nomeação do Collegio Sindacale (órgão fiscalizador), aprovada com 99,93% de apoio.
Em termos financeiros e de balanço, a Assembleia decidiu reduzir a quota da reserva legal ao mínimo exigido por lei e eliminar a reserva estatutária, com 99,92% de votos favoráveis. Essa opção libera parte do desenho de retenção de lucros, com efeitos potenciais sobre distribuição de dividendos e alocação de capital — uma decisão que exige atenção à calibragem entre solidez e retorno aos acionistas.
Por fim, a instituição salientou que as mudanças estatutárias aguardarão a autorização formal da Banco Central Europeu, sem a qual as novas regras não entrarão em vigor. A expectativa do mercado é que, uma vez validada a alteração, a governança do banco fique mais flexível e orientada para continuidade estratégica — um ajuste fino no motor da economia interna do banco.





















