Por Stella Ferrari – Em passagem rápida pelas comissões, o decreto milleproroghe recebeu o mandato ao relator nas Comissões Bilancio e Affari Costituzionali da Câmara, mas muitas propostas de alteração foram deixadas de lado para conter os prazos e permitir que o texto chegue ao Plenário já a partir de amanhã. A calibragem dos tempos legislativos foi decisiva para manter o ritmo de tramitação — como afinar a gestão de um motor com restrições de combustíveis.
Entre os emendamentos não acolhidos está o apresentado pela Lega, com primeira assinatura de Alberto Gusmeroli, que pedia a reabertura dos prazos da rottamazione quater. Deputados do partido garantem que havia parecer favorável do MEF, mas a proposta foi deixada de fora da lista de itens sinalizados. A Lega já sinalizou que tentará reintroduzir a medida em futuros provvedimenti de natureza fiscal.
Fontes do governo indicam que está em estudo um novo decreto tributário onde poderão confluir medidas que ficaram fora tanto da lei de orçamento quanto do milleproroghe. Entre as hipóteses em análise está o adiamento da taxa de 2 euros sobre pequenos pacotes provenientes de países extra-UE, com o objetivo de harmonizá-la com a medida europeia concomitante de 3 euros em vigor a partir de 1º de julho. Um emendamento de Forza Italia a esse respeito não foi incluído entre os sinalizados. O PD havia proposto o adiamento, proposta que acabou arquivada, e agora trabalha em um possível ordem do dia que pode contar inclusive com subscrição de forças da maioria.
Na tramitação em Plenário, centralizaram-se os debates em dispositivos descartados. Entre eles, o texto da maioria para reabrir prazos do condono edilizio de 2003 foi considerado inadmissível. Também não sobreviveu — após reformulação do governo — a prorrogação do crédito de imposto para a imprensa em papel destinada a editores de jornais e periódicos. Outro capítulo sensível refere-se aos fundos: o repasse habitual para Radio Radicale foi reduzido à metade, fixado em 4 milhões para 2026, destinados a garantir a transmissão em direto das sessões parlamentares e atividades correlatas. A SLC CGIL definiu a redução como “uma forte desvalorização que compromete a sobrevivência de uma voz que desempenhou papel relevante no processo de informação pública”.
Quanto às medidas aprovadas, destacam-se regras voltadas ao setor saúde e à organização dos serviços públicos. Um emendamento do governo permite que os medici ospedalieri permaneçam em serviço, de forma voluntária, até completarem 72 anos, medida motivada pela grave escassez de pessoal no setor. Ficam excluídos dessa possibilidade os docentes universitários que exercem atividade docente e assistencial nas universidades.
O texto-base aprovado em Conselho de Ministros também trouxe dispositivos administrativos: foi adiado para 31 de dezembro de 2026 o prazo para a conclusão da atividade instrutória destinada à definição dos LEP (Níveis Essenciais das Prestazioni). O scudo penale para médicos e operadores do setor foi prorrogado igualmente até 31 de dezembro de 2026, uma medida que se configura como freio provisório a litígios em um setor sob elevada pressão.
Além disso, o decreto prevê o adiamento do prazo para a contratação de apólices de seguros contra riscos catastróficos para estabelecimentos de alimentação e bebidas e empresas do setor turístico‑hoteleiro, como forma de acomodar ajustes regulatórios e de mercado em curso. Em suma, o texto final do milleproroghe mistura prolongamentos técnicos — prazos e salvaguardas — com escolhas políticas que ficam por agora no retrovisor, prontas para serem redistribuídas em futuras manobras legislativas.
É um momento em que o Parlamento prefere manter o veículo em marcha, sem trocas profundas de peças no capô; a gestão prima por estabilidade operacional, enquanto a corrida por medidas fiscais de maior impacto será disputada em próximas voltas.






















