Por Stella Ferrari — 29 de janeiro de 2026
Na noite de 28 de janeiro, com os mercados já fechados, a Microsoft divulgou os resultados do trimestre encerrado em dezembro de 2025 — o seu segundo trimestre fiscal. Numericamente, o balanço foi sólido e excedeu as estimativas em diversos indicadores-chave, mas a reação do mercado foi negativa: nas negociações after-hours as ações caíram mais de 6%, chegando a beirar 7%.
Os principais números revelam uma empresa com forte capacidade de geração de caixa e margem. As receitas alcançaram US$ 81,3 bilhões, um crescimento de 17% ano a ano. O resultado operacional subiu 21%, atingindo US$ 38,3 bilhões. No front do lucro, o lucro por ação (GAAP) avançou 60%, para US$ 5,16; o EPS não GAAP foi de US$ 4,14, incremento de 24%.
Apesar desses números robustos, a leitura do mercado concentrou-se em um ponto sensível: o ritmo de crescimento do negócio em nuvem. A divisão Azure cresceu 39%, enquanto o segmento mais amplo Microsoft Cloud aumentou 26%. São taxas de expansão expressivas, porém ficaram aquém das expectativas de alguns analistas, gerando incerteza sobre o retorno dos volumosos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial que a empresa vem realizando.
Do ponto de vista estratégico, a Microsoft tem calibrado uma aceleração de tendências ao apostar pesado em data centers, ferramentas de IA e parcerias. Recentemente a companhia fechou um acordo para hospedar o Grok AI de Elon Musk — tema que ganhou manchetes após controvérsias envolvendo o sistema. Esses movimentos evidenciam uma aposta clara: transformar investimentos em infraestrutura de IA no motor da próxima fase de crescimento.
No entanto, investidores estão vigilantes. Há preocupação de que a intensa alocação de capital em infraestrutura de IA possa atrasar a visibilidade de retorno e que o setor de tecnologia, em especial o universo de IA, esteja com avaliações esticadas — o temor de uma bolha sutilmente reduz a propensão a premiar empresas pela promessa futura.
Como economista com visão de mercado global e foco em alta performance, vejo a leitura do mercado como uma exigência de maior transparência na curva de monetização desses investimentos. A Microsoft demonstra robustez operacional e capacidade de execução; a tarefa agora é converter escala em rentabilidade em prazos que satisfaçam a paciência dos investidores institucionais. Em termos de design de políticas internas, trata-se de calibrar o investimento sem abrir mão da disciplina financeira — um ajuste de engenharia que definirá a performance dos próximos trimestres.
Em resumo: resultados operacionais e lucros em forte ascensão, mas o mercado cobra evidências mais claras de retorno sobre a pesada infraestrutura de IA. A ação pagou a conta da incerteza, apesar dos fundamentos sólidos.






















