Mercados europeus fecham cautelosos: olhos na Fed e nas acusações a Powell
Os índices acionários europeus encerraram a sessão quase estacionários, em um ambiente de cautela que revela mais apreensão do que tranquilidade. Milão fechou marginalmente acima da paridade, com alta de 0,03%, enquanto Paris ficou ligeiramente abaixo do zero. A exceção parcial foi Frankfurt, que registrou ganho de pouco mais de meio ponto percentual. Do outro lado do Atlântico, os índices de Wall Street seguiram igualmente contidos: o Dow Jones recuou levemente e o Nasdaq exibiu um sutil avanço.
O que realmente concentra a atenção dos agentes é o que se passa em torno da Federal Reserve. O presidente Powell passou a ser alvo de acusações — não por decisões diretas de política monetária, mas em razão do depoimento prestado na investigação sobre os sobrecustos na reforma da sede da Fed. Para muitos observadores, incluindo parte do próprio establishment do banco central, há indícios de um movimento político no sentido de encurtar a trajetória de Powell, criticado por setores que o julgam lento em reduzir taxas quando desejado. É uma disputa política com potencial para afetar as bases da confiança do sistema financeiro, cuja estabilidade repousa em grande parte na independência do banco central.
Essa escalada de tensão institucional já tem reflexos práticos nos mercados cambiais e de ativos de refúgio. O dólar perdeu terreno frente ao euro, que chegou a ser cotado a 1,1678. Paralelamente, o metal precioso retomou o movimento de valorização: o ouro acelerou e tocou a marca de 4.600 dólares a onça, sinalizando busca por proteção em um cenário de incerteza política e monetária.
Do ponto de vista macro, essa conjuntura consiste em uma recalibração entre forças de mercado e vetores políticos. A independência da autoridade monetária funciona como um dos pilares — ou como eu costumo descrever, como um componente do motor da economia que garante estabilidade de rotação. Quando esse motor é submetido a pressões externas, a resposta dos mercados é imediata: redução do apetite por risco, reprecificação de moedas e migração para ativos que preservem valor.
Para gestores e investidores de alta performance, a recomendação é monitorar duas variáveis com especial atenção: o desenrolar político em relação à liderança da Fed e os próximos movimentos das taxas nos comunicados oficiais. A calibragem de expectativas sobre juros e credibilidade institucional será determinante para a direção dos fluxos de capitais nas próximas semanas.
Em resumo: sessões de pouca volatilidade nas bolsas europeias não significam serenidade — significam expectativa e vigilância. O mercado está, por ora, com o pé no acelerador, mas com as mãos firmes no volante, pronto para ajustar rota conforme a narrativa sobre a Fed e as consequências das acusações contra Powell evoluam.






















