Por Stella Ferrari — As praças financeiras europeias abriram o dia em terreno positivo, porém com cautela, após a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e a Índia. A iniciativa, que promete integrar um mercado de cerca de dois bilhões de pessoas, foi qualificada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como a “mãe de todas as intesas” — um sinal claro de recalibragem das estratégias comerciais globais.
Os índices avançaram de forma moderada: ganhos na ordem de 0,3% em Milão, Londres e Paris, enquanto Frankfurt se manteve ligeiramente abaixo da paridade. Esse comportamento reflete um mercado que busca direcionamento após um choque positivo de notícias, mas ainda preserva margens de prudência diante de dados setoriais e riscos geopolíticos.
O setor automotivo voltou ao centro das atenções após a divulgação das estatísticas de vendas: as imatriculações nos países da UE cresceram 1,8% no último ano, embora os volumes permaneçam consideravelmente inferiores aos níveis pré-pandemia. A leitura é clara: há recuperação, porém o motor da indústria ainda não retomou sua plena potência.
No front corporativo, a Stellantis registrou um recuo de 3,9% nas vendas e o papel cedeu 0,75% em Milão — reflexo de uma combinação entre demanda aquém do esperado e volatilidade setorial. Ao mesmo tempo, o segmento bancário teve um dia positivo de forma agregada, mas com exceções: a Mediobanca sentiu pressão vendedora diante de rumores sobre a possibilidade de a controladora Mps colocar um pacote acionário à venda, estratégia que poderia alterar a governança e aumentar o risco de diluição para investidores tradicionais.
Enquanto isso, os metais preciosos protagonizam uma corrida de alta que ganha aceleração: o ouro estabilizou-se confortavelmente acima de 5.000 dólares por onça e a prata ultrapassou os 100 dólares por onça — ambos atingindo máximos históricos. Esse movimento sinaliza busca por ativos de porto seguro, possivelmente alimentada por incertezas geopolíticas, inflação e acomodação nas expectativas de juros reais. Em termos de desenho de portfólio, é como ajustar a suspensão de um veículo: investidores recalibram proteção contra turbulências macroeconômicas.
Em suma, as praças europeias operam com uma combinação de impulso comercial positivo — impulsionado pelo tratado UE-Índia — e monitoramento estreito de indicadores setoriais. A dinâmica atual pede estratégia fina: manter exposição a ativos de crescimento, sem descuidar dos freios fiscais e mecanismos de proteção clássicos, como a alocação em metais preciosos e cobertura cambial.
Como estrategista, recomendo atenção especial às leituras de vendas automotivas nos próximos trimestres e a evolução das negociações societárias em bancos italianos, que podem alterar a trajetória de curto prazo dos índices. Em um mercado que acelera por notícias e freia por dados, a calibragem de risco continuará sendo o diferencial entre navegar com suavidade ou enfrentar turbulência abrupta.






















