Por Stella Ferrari — As bolsas europeias seguem em terreno positivo nesta sessão, impulsionadas por fatores diplomáticos e expectativas macroeconômicas. O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um acordo preliminar envolvendo a Groenlândia e a retirada dos tarifas previstas para 1º de fevereiro contra países europeus que enviaram tropas à ilha comportou um alívio temporário no sentimento de risco.
Em Milão, o índice principal avança cerca de um ponto percentual no meio do pregão, com Paris e Frankfurt também em alta e Londres mantendo postura mais cautelosa. A sessão ilustra uma dinâmica de mercado que mistura a aceleração de tendências positivas com pontos de tensão setoriais: os papéis ligados à defesa aparecem entre os maiores recuos.
No segmento de defesa, destacam-se as quedas de Leonardo, que perde mais de 2%, e Fincantieri, em baixa superior a 5% na Praça Affari. Esses movimentos explicam-se pela sensibilidade do setor a sinais de descontração geopolítica e anúncios diplomáticos, que atuam como um ajuste fino no motor da economia e redistribuem o apetite por risco.
Em contrapartida, os setores financeiro e semicondutores mostram força. Os bancários avançam com vigor, enquanto STMicroelectronics dispara após declarações do CEO da NVIDIA sobre as perspectivas da inteligência artificial. Essa reação confirma como a narrativa de tecnologia e IA continua a servir de catalisador para realocações de capital, num ajuste que lembra a calibragem fina de um motor de alto desempenho.
Os futuros das bolsas americanas operam positivos, refletindo o bom fechamento de ontem e a expectativa pelos próximos indicadores econômicos dos EUA, em especial PIB e taxa de desemprego, que podem fornecer nova direção aos mercados globais.
Ao mesmo tempo, a corrida do ouro não dá sinais de arrefecimento: o metal precioso negocia acima de 4.800 dólares por onça, reforçando seu papel de porto seguro diante de uma conjuntura marcada por incertezas geopolíticas e macroeconômicas. Em termos de gestão de risco, essa valorização funciona como os freios fiscais que operam quando a velocidade do mercado exige desaceleração.
Do ponto de vista estratégico, a sessão expõe elementos cruciais para investidores institucionais e gestores de portfólio: a sensibilidade setorial a anúncios diplomáticos, a persistência do apetite por tecnologia vinculada à IA e a continuidade da busca por ativos de refúgio. Para quem monitora o mercado europeu, a lição é clara — manter a visão de longo prazo, mas ajustar posições com a precisão de engenharia, identificando onde há potencial de aceleração sustentável e onde os freios são inevitáveis.
Em suma, a combinação entre alívio diplomático e expectativas macroeconômicas sustenta um dia positivo nas praças europeias, enquanto nomes ligados à defesa sofrem pressão e nomes tecnológicos e financeiros capturam a atenção dos investidores.






















